Rubens Barbosa*  

A percepção externa negativa sobre o Brasil na questão ambiental e de mudança de clima tem como foco a Amazônia. Interesses concretos podem vir a ser afetados, em especial no agronegócio e no financiamento de projetos de infraestrutura, como indicam as manifestações empresariais da semana passada. A União Europeia abre investigação sobre critérios do acordo com o Mercosul.

O governo perdeu a batalha da comunicação. Não resta ao  governo senão sair da defensiva e tomar uma atitude pró ativa de modo a restaurar a credibilidade externa e restabelecer a confiança nas políticas domésticas na Amazônia. Sob a coordenação da Vice-presidência, o governo deveria trabalhar com o Congresso e o setor privado para melhor responder ao desafio.

Mais do que uma campanha de relações públicas no exterior, com enorme custo e poucos resultados, impõe-se a Leia mais

Rubens Barbosa*

Destravando a agenda da bioeconomia na Amazônia foi tema do encontro ‘’live’’ organizado pelo Instituto Escolhas e o Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE), na semana passada. Tivemos a oportunidade de tratar da questão da bioeonomia e da proteção da Floresta Amazônica como fator de projeção do Brasil no cenário internacional. Questões mais que nunca atuais e relevantes em vista da percepção externa do país extremamente negativa.

É indubitável que o meio ambiente entrou definitivamente na agenda global e um dos focos principais é a preservação da Floresta Amazônica. As imagens relacionadas com o desmatamento, queimadas e garimpo ilegal na Amazônia em 2019 ganharam repercussão mundial. A retórica e algumas medidas e políticas governamentais contribuíram para a escalada da opinião pública internacional contra o Brasil, agravada agora pela maneira como é vista a condução das políticas em relação à pandemia e a confrontação política interna.

As preocupações com a preservação do meio ambiente e com a mudança do clima passaram a ter um impacto que vai além das sanções politicas, como no passado. Agora, com a entrada em cena da figura do consumidor e com a inclusão de Leia mais

Por Renato Whitaker *

No final de fevereiro desse ano, houve uma notícia curiosa: uma das consequências da disseminação do novo coronavírus (COVID-19) na China foi registrada pela agência espacial americana NASA, que detectou que a famosa poluição aérea sobre grandes partes do país (mais especificamente, índice detectáveis de dióxido de nitrogénio) despencaram precipitosamente[1]. Embora poderia haver outras explicações, como o advento do ano novo chinês no qual atividades econômicas diminuem, recentes reportagens de emissoras como Deutsche Welle, CNN[2] e Forbes[3] aumentam a credibilidade ao argumento que o refreio da economia chinesa (e da queima de carvão que abastece-a) causou não somente uma melhora na qualidade do ar chinês, mas também talvez salvará mais vidas humanas do que as baixas causadas por COVID-19[4].

Ecologistas, e outros que atuam na área ambiental, conceptualizam os danos ou efeitos nocivos que a atividade humana tem sobre o meio ambiente com a fórmula “iPAT” (ou i=PAT), onde “i” (o impacto humano) é igual a “P” (o tamanho da população) vezes “A” (a afluência ou os padrões de consumo médio de cada pessoa) vezes “T” (a eficiência tecnológica dos fatores de produção que criam a riqueza). Em suma, cada pessoa a mais é um consumidor que gera externalidades poluentes. Essa poluição (seja na produção dejetos, emissão de gases de efeito estufa ou expansão do desmatamento) aumenta conquanto o padrão de consumo médio da população cresce.

O fator “T” é o curinga da equação. Inovações tecnológicas podem diminuir a necessidade de insumos na produção de Leia mais

Por Rubens Barbosa*

O tema do meio ambiente entrou definitivamente na agenda global. E mais cedo ou mais tarde voltará a ser uma prioridade para o governo brasileiro por realismo político e por razões pragmáticas.

Diante das atitudes do atual governo, são crescentes as ameaças de prejuízo para o setor do agronegócio pela possibilidade de boicote de consumidores e pela crescente influência da política ambiental sobre as negociações comerciais. A atuação na defesa dos legítimos interesses do setor, está levando as associações das diferentes áreas e a Frente parlamentar da Agropecuária, a defender mais atenção aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nos acordos assinados desde 1992 e, sobretudo, uma atenuação da retorica governamental e uma correção de rumo de algumas políticas anunciadas pelo governo.

As percepções criticas no exterior tem como foco a Amazônia.  Recentemente, as queimadas e o desmatamento foram alvo de manifestações no mundo inteiro. Informações distorcidas e meias verdades se misturaram a fatos reais, ampliando as Leia mais

DIPLOMACIA AMBIENTAL E O ACORDO MERCOSUL-UE

O IRICE e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) realizam dia 5 de novembro próximo um segundo encontro sobre Diplomacia Ambiental, nesta oportunidade destacando o Acordo Mercosul-UE. Os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em acordos, convenções e atos internacionais nas últimas décadas, desde a Rio 92, e sua implementação pelo governo brasileiro serão analisados e discutidos por especialistas. O tema ganha relevância na medida em que a política ambiental vem sendo usada como um instrumento da política comercial, refletida concretamente no Capítulo sobre Desenvolvimento Sustentável incluído no Acordo Mercosul-União Europeia. O evento acontece no auditório do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na Rua Tabapuã, 469. Inscrições, gratuitas, através do e-mail: forum@abag.com.br.

Por Rubens  Barbosa*

O debate atual sobre as queimadas, o desmatamento e o garimpo ilegais ganhou repercussão internacional e transformou-se na mais grave crise externa brasileira desde os anos 70 e 80, causada também por críticas às politicas de meio ambiente e de direitos humanos.

No Brasil, vivíamos em um governo militar e um de seus dogmas era “Amazônia, integrar para não entregar”. A visão defensiva prevalecia em 1972, por ocasião da histórica Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, organizada pela ONU, em Estocolmo. A retórica do atual governo repete os argumentos dos militares de então. Na época, a sanção foi politica, com a deterioração da imagem do Brasil no exterior.

No último dia 29, sucedi ao naturalista e homem público Paulo Nogueira Neto na Academia Paulista de Letras. Em discurso de posse, recordei a atualidade da atuação de Nogueira Neto, responsável pela politica ambiental, pela legislação interna e pela criação de estruturas administrativas como a SEMA e Ibama, que desaguaram no atual Ministério de Meio Ambiente. No âmbito governamental, participou da referida Conferência de Estocolmo de Chefes de Estado. A atuação do Brasil é lembrada por Leia mais