Rubens Barbosa*

 

O pronunciamento inaugural do novo ministro do exterior, Carlos França, traz de volta a atitude profissional da diplomacia. Simples, direto e objetivo, dentro daquilo que é possivel no atual momento, o discurso indicou que a política externa volta a ser uma política pública, a serviço dos interesses nacionais. O estilo “low profile” e o tom são distintos do que se ouviu nos últimos dois anos. A nova direção do Itamaraty segue o que ensinou o Barão do Rio Branco, patrono da diplomacia brasileira, ao tomar posse em 1903: “não venho servir a um partido político: venho servir ao nosso Brasil, que todos desejamos ver unido, íntegro, forte e respeitado”.

Assim como as Forças Armadas, o Itamaraty é uma instituição de Estado, acima de interesses circunstanciais políticos ou ideológicos. A política externa, fundada nos principios constitucionais, é definida pelo presidente da República. A cara do Brasil no exterior hoje é a do presidente Bolsonaro. O Itamaraty, executor da atuação externa, em toda sua história, passando por vários regimes políticos, atuou como um fator moderador na defesa dos valores e Leia mais

Caros leitores,

 

A atual edição da Revista Interesse Nacional chega em cenário de intensa mobilização no combate a mais uma onda da pandemia, que domina o mundo há mais de um ano. Levantamento da empresa de dados BITES registrou a maciça presença do assunto nos meios on-line. No Facebook, por exemplo, as interações em posts com a presença dos termos Coronavírus e Covid-19 somam 15,2 bilhões de curtidas, compartilhamentos e comentários. As atenções estão monopolizadas, mas em paralelo ao desenrolar desse drama de proporções ainda incalculáveis, a vida segue. E é dela que nossa edição trata.

No Brasil, o Legislativo elegeu novas lideranças para condução da Câmara dos Deputados e Senado pelos próximos dois anos. Quem vai ocupar essas cadeiras interessa aos brasileiros. Por isso, a 53ª edição da Revista convidou a jornalista Helena Chagas a escrever sobre a ascensão do grupo denominado Centrão no comando do Congresso. Outro tema da pauta nacional é a participação militar no governo Bolsonaro. Quem reflete sobre a questão é o advogado criminalista Augusto de Arruda Botelho. Já os primeiros passos da política externa de Joe Biden, que afeta os negócios globais, recebeu considerações do embaixador Rubens Ricupero e do jornalista e escritor Igor Gielow.

No âmbito das negociações internacionais, o advogado especializado em tecnologia Ronaldo Lemos enfatiza a relevância da governança tecnológica que passou a ser central para as relações internacionais. Inteligência artificial, internet das coisas, criptomoedas, cibersegurança e 5G interessam ao planeta. Nesse sentido, ele ressalta que o apagão do protagonismo nacional na área ocorre no pior momento possível, já que a pandemia promoveu avanços nesse cenário em inúmeros âmbitos. Para encerrar a edição, entrou na pauta da Revista dois assuntos de grande relevância para o futuro do Brasil, os próximos 50 anos do Tratado de Itaipu, que discutirá a sua continuidade, assunto dos articulistas José Luiz Alquéres e Altino Ventura Filho; e os 30 anos do Mercosul, o qual, na leitura do embaixador Rubens Barbosa, necessita de um freio de rearrumação.

Boa leitura

http://interessenacional.com.br/wp-content/uploads/2021/03/IN-53.pdf

Boletim mensal de notícias editado pela Embaixada do Brasil em Moscou, destina-se a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.  Para as matérias nesta edição: View this report in your browser

 

Blog do Noblat, site da VEJA.

Para a íntegra da matéria:   https://bit.ly/32vxhu1

 

 

 

Eduardo Siqueira Brick*

Análise crítica dos documentos de alto nível da defesa do Brasil  ((PND, END e LBDN, versão 2020)

Este Sumário Executivo tem como propósito apresentar os principais resultados, conclusões e recomendações extraídos da análise crítica dos documentos de alto nível da defesa, submetidos à aprovação do Congresso Nacional pelo Ministério da Defesa, no dia 22/07/2020: Política Nacional de Defesa (PDN), Estratégia Nacional de Defesa (END) e Livro Branco da Defesa Nacional (LBDN).
O assunto é muito complexo e sua análise exigiu ampla fundamentação teórica e empírica, resultando em um texto muito extenso, contido em um outro documento. Por este motivo, no intuito de facilitar o acesso aos seus resultados, foi preparado este Sumário Executivo, contendo apenas conclusões, recomendações e algumas informações fundamentais para o seu entendimento. Esses dois textos são complementares e devem trabalhar juntos. Quem desejar conhecer com mais profundidade a fundamentação e o detalhamento da análise deverá consultar o Documento Completo.
A análise foi feita sob a perspectiva da gestão estratégica da defesa, que envolve decisões de alto nível, relacionadas com a alocação de substanciais recursos públicos para atingir objetivos políticos do país no campo da defesa.
Procurou-se responder a quatro questões-chave para o preparo da defesa. Duas relacionadas à definição do problema da defesa, e duas relacionadas à sua solução.
Em primeiro lugar, para definir o problema da defesa, é preciso responder às questões “defesa para quê” (objetivos mais amplos de uma Grande Estratégia e contingências, definidas por tarefas e cenários, que possam exigir o emprego de Forças Armadas.) e “defesa contra quem” (ameaças).
Esta é uma responsabilidade do mais alto escalão do Poder Político do país, representado pelo Leia mais

Boletim mensal de notícias editado pela Embaixada do Brasil em Moscou, destina-se a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.  Confira matérias nesta edição:https://mailchi.mp/42a7a04adbc1/panorama-brasil-russia-setembro2020-2791913?e=d8f28b739e

Entidade sem fins lucrativos, buscará preencher um vazio de discussões na sociedade

O Estado de S.Paulo –  13 de outubro de 2020 | 03h00

Rubens Barbosa*

O Centro de Defesa e Segurança Nacional (Cedesen) foi criado em São Paulo, com o estímulo do ex-ministro Raul Jungmann. Trata-se de uma entidade sem fins lucrativos que se caracteriza pela independência e pluralidade, acima de interesses partidários, ideológicos ou setoriais, e buscará preencher um vazio de discussões na sociedade civil sobre assuntos de extrema importância na área de defesa e que podem definir a posição do Brasil no mundo.

Somos uma das dez maiores economias globais, o quinto maior território e a sexta população mundial. E temos a terceira maior fronteira. Nosso país está destinado a ter papel relevante no contexto das relações internacionais. Membro do Brics, na área da defesa se constitui na segunda maior potência do Hemisfério; tem a maior costa banhada pelo Atlântico Sul e dos três ecossistemas do subcontinente, à exceção do andino, está presente nos outros dois, o amazônico e o platino. Sendo um país continental, torna-se obrigatório termos uma visão clara dos temas da defesa e segurança, compatível com a necessidade de dispor de recursos de proteção e, se necessário, capacidade de dissuasão adequada a seu presente e seu futuro.

Por motivos históricos, sociais e econômicos inexiste compatibilidade entre a realidade do País e sua defesa e segurança nacional. Ao contrário de outros países, não há no Brasil uma cultura de defesa por nos situamos na mais pacífica das regiões em termos de conflitos interestatais – o último conflito em que nos envolvemos dista 150 anos do presente, a Guerra do Paraguai. Socialmente, nossas prioridades prementes são desigualdade, saúde, educação, segurança pública e emprego. E, economicamente, nossa situação fiscal precária nos impõe severas restrições à expansão de gastos, sobretudo com investimentos. Disso resulta um distanciamento entre as prioridades da  política e as da defesa e da segurança nacional. Falta às nossas elites sociais, econômicas e politicas maior sensibilidade para um debate e maior interesse e compreensão do tema. Leia mais

O IRICE e a Revista Interesse Nacional promovem no último trimestre deste ano três encontros virtuais para discutir Política Ambiental e seus reflexos no Comércio Exterior. Os Seminários abordarão temas relacionados com comércio exterior, relações internacionais, agronegócio e meio ambiente e contará com o apoio de: Instituto Escolhas, FBDS, IBÁ, Klabin, e dos escritórios Pinheiro Neto e Veirano Advogados . O primeiro destes encontros será realizado dia 14 de outubro sobre o tema Diplomacia Ambiental. Para  inscrever-se: https://maquinaderesultados.typeform.com/to/L0ErluRO.

Próximos encontros:

12 de novembro – Política Ambiental e Comércio Exterior  – https://youtu.be/z-2Rf6QmESk.

09 de dezembro – Acordo Mercosul-UE e a Oposição Europeia pela Política em relação à Amazônia  https://youtu.be/wvSGQlNE0zY

 

Boletim mensal de notícias editado pela Embaixada do Brasil em Moscou, destina-se a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.  Confira matérias nesta edição: https://bit.ly/2YWiHKS.

 

Embaixador Rubens Barbosa:  Acordo entre Mercosul e UE fica mais complicado sem preservação da Amazônia

Para o diplomata, política ambiental precisa sofrer correções e o Brasil tem que assumir o protagonismo –  Eduardo Geraque – 7/05/2020

Os esforços atuais, como não poderia deixar de ser, deveriam estar todos voltados para o combate à pandemia causada pelo coronavírus. Mas, no segundo semestre, na avaliação do embaixador Rubens Barbosa, que representou o Brasil em Londres (1994 a 1999), e em Washington (1999 a 2004), a questão ambiental vai entrar com tudo na discussão internacional. Principalmente, dentro do provável processo de aprovação, por parte dos parlamentos tanto europeus quanto do Mercosul, do acordo que ainda deve ser assinado entre os dois blocos comerciais. Sem mudanças de rotas na política ambiental em curso na Amazônia, por exemplo, os parlamentares dos vários países europeus dificilmente vão ratificar o acordo conforme o embaixador Barbosa afirma nesta entrevista para o Instituto Escolhas.

O também presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) analisa como o agronegócio brasileiro deve se comportar depois da crise atual e, principalmente, como ficará a polarização entre Estados Unidos e China neste novo cenário global. Segundo Barbosa, se as instituições multilaterais sobreviverem, elas devem ganhar uma nova roupagem.

No episódio #6 do podcast Escolhas no Ar, o embaixador Rubens Barbosa fala um pouco mais sobre o mundo que vai emergir pós-pandemia do coronavírus. Para ele, “a ONU terá que se reinventar e o debate ambiental vai emergir com toda a força”.  Clique aqui

Instituto Escolhas – O clima de polarização política que o Brasil está vivendo não atrapalha discussões mais profundas e sobre temas relevantes tanto internos quanto externos?

Embaixador Rubens Barbosa – A polarização no Brasil começou há uns 10 ou 15 anos, na base da ideia do nós contra eles, e continua com uma base ideológica muito forte. Entre os temas que nós vamos discutir, como a questão ambiental e o agronegócio, essa polarização vai continuar. Mas a minha expectativa é que nós temos algumas datas muito importantes pela frente que vão ter que receber um tratamento diferente por parte da sociedade brasileira. Uma delas, concretamente, é assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia que deve ocorrer, vamos dizer assim, em meados do ano. Depois dessa assinatura vai começar o processo de ratificação do acordo nos parlamentos europeus. Desde as eleições de outubro Leia mais