Rubens Barbosa*

 

Estamos vivendo tempos estranhos. A sociedade está dividida e polarizada, anestesiada e paralisada, inclusive pelas dificuldades decorrentes da pandemia. A perplexidade aumenta na medida em que, entre muitos outros exemplos, se verifica a maneira como a grave crise do combate à COVID 19, fora do controle, está sendo conduzida; pela ameaça de um enfrentamento fraticida pela facilitação da venda e porte de armas e munições; pela inexplicada crise militar com a demissão da cúpula da Defesa; pelo desmonte do combate a corrupção; pela crescente influência das milícias e do tráfico de drogas; pela chocante visibilidade da desigualdade social; pela falta de perspectivas e de uma visão de futuro para o país.

A tudo isso, junta-se agora a surrealista discussão sobre atividades religiosas coletivas em templos e igrejas durante a pandemia. As apresentações terrivelmente evangélicas feitas no STF pelo Advogado Geral da União e pelos advogados que defendiam a abertura dos templos e igrejas trouxeram à tona, mais uma vez, a questão da laicidade do Estado brasileiro. Até o presidente reforçou a defesa de cultos e missas presenciais, como um direito inerente a maioria, ignorando às ameaças à vida e a Constituição.

Um Estado é laico quando promove oficialmente a separação entre Estado e religião. A partir dessa Leia mais