FRENTE PELA RENOVAÇÃO

Por Rubens Barbosa

O Brasil começa a se recuperar da grave crise econômica, politica e ética que deixou profundas marcas no conjunto da sociedade. Politicas economicas erradas levaram o pais para a mais grave crise das últimas décadas. O Congresso contaminado pela Lava Jato e representando interesses corporativos é um fator de resistência para as mudanças que os novos ventos no Brasil e no mundo tornaram inadiáveis.

A ausência de liderança efetiva no Executivo, no Legislativo e no Judiciário agrava o quadro nacional e exige de todos os que se preocupam com o futuro do Brasil um esforço para promover um debate que chame a atenção para as mudanças que a sociedade brasileira terá de enfrentar nos próximos anos de modo a melhorar a vida das próximas gerações.

O preço do imobilismo será maior do que o custo das mudanças necessárias para restabelecer as condições de governabilidade do pais.  Não se pode deixar de contar com um Estado eficiente, efetivo e comprometido com o interesse público, em especial com os interesses dos segmentos mais pobres da população. Será inevitável o reexame do papel do Estado e o grau de sua interferência na vida de todos nós e das empresas. (mais…)

RADAR GENEBRA – Anúncio

Comunicado do Radar Genebra – 07 de dezembro de 2017

informamos que a Organização Mundial do Comércio (OMC) abriu duas (2) vagas para atuar como Advogado no Órgão de Solução de Controvérsias, junto à Divisão de Regras (“Rules Division”).  O cargo, de nível 9 na escala definida pela Organização, exige formação jurídica aliada a, no mínimo, oito (8) anos de experiência profissional como advogado, na área de disputas comerciais e/ou experiência em tribunais ou outras instâncias nacionais lidando com o tema. A remuneração anual é de 134,209 Francos suíços. O prazo para apresentação de candidaturas encerra-se no dia 03/01/2018. Interessados deverão se candidatar diretamente na plataforma de recrutamento da Organização, acessível no site: https://erecruitment.wto.org/public/index-wto.asp?lng=en.

Maiores informações encontram-se disponíveis no edital em anexo, que também poderá ser consultado no link https://erecruitment.wto.org/public/hrd-cl-vac-view.asp?jobinfo_uid_c=5822&vaclng=en.

A NOVA SUPER POTÊNCIA

Por Rubens Barbosa

A China fortalecida apresenta-se no cenário global como superpotência e passa a disputar espaço com os EUA. A explicitação dessa nova postura chinesa chegou durante o 19o. Congresso do Partido Comunista, que contou  com mais de 2.300 participantes, em outubro passado.

Em uma perspectiva histórica, esse Congresso poderá ser visto como um divisor de águas.  Abandonando a postura burocrática e cautelosa que caracterizou a ação da liderança chinesa nas ultimas três décadas, Xi Jim Ping firmou-se como a liderança mais importante da China desde Mao Tse Tung e o Partido Comunista reafirmou seu firme controle sobre a politica interna. A ação externa de Beijing passa a ser cada vez mais desinibida e a cautela e a harmonia, sua marca registrada por muitos anos, cede lugar a uma presença cada vez mais afirmativa tanto nas áreas econômicas e comerciais, quanto na política e diplomática (mais…)

RADAR GENEBRA – Boletim Semanal

52a. Edição – 20 a 24 de novembro de 2017

Publicação semanal elaborada pela Turma do Programa de Formação Complementar e Pesquisa em Comércio Internacional mantido pela Delegação do Brasil junto à OMC.  O documento visa traçar um panorama não exaustivo dos principais acontecimentos nos temas de acompanhamento deste posto diplomático, destacando notícias relevantes, publicações recentes e eventos de interesse que ocorrerão em Genebra e outras localidades. Ler mais

 

O BRASIL E A NOVA GEOPOLÍTICA GLOBAL

Por Rubens Barbosa

A geopolítica tem como objetivo fazer a interpretação dos fatos da atualidade e do desenvolvimento politico dos países, além de compreender e explicar os conflitos internacionais e as principais questões politicas da atualidade, a partir do seu território, do PIB e da população.

Tornou-se clichê dizer que o mundo passa por grandes transformações: surgem múltiplos polos de poder, a China volta ao centro do cenário internacional, as dificuldades nos EUA, na União Europeia, a crise do multilateralismo (ONU e OMC), os rápidos avanços tecnológicos, por exemplo.

Essas mudanças afetaram também a geopolítica que passou a incorporar três novas dimensões: a construção de espaços regionais, o crescimento do mundo digitalizado (internet, TV) e a expansão dos espaços econômicos sem fronteiras com a globalização dos fluxos de capital e de investimentos.

O regionalismo se afirma como uma resposta à globalização, como ocorre na Ásia, na Europa e na América do Norte. Na prática, se evidencia pela negociação de mega acordos regionais que geram crescente volume de intercâmbio comercial e cadeias produtivas de valor agregado.

Os avanços tecnológicos, com ciclos cada vez mais rápidos, permitem a ampliação dos espaços digitalizados na indústria (4.0) e nos serviços (e-commerce), sem falar no papel que a internet e a televisão desempenham nas comunicações e nos movimentos sociais, com grande impacto sobre a politica dos países.

Com a globalização, ampliaram-se os espaços econômicos sem fronteiras, acelerados pela rapidez das movimentações dos fluxos de capital e investimentos, sobretudo a partir do fim do século XIX e inicio do século XX. Um fenômeno que veio para ficar, superando as crises ocasionadas pelas guerras mundiais e pela depressão. Apesar das dificuldades atuais, com a redução do comércio internacional e das correntes de investimentos, a globalização vem se diversificando e crescendo, apesar da perda de apoio politico no mundo de hoje, exemplificada com a saída do Reino Unido da União Europeia e com a eleição de Donald Trump e a nova politica comercial de Washington.  A globalização está ainda mais ampla, ao incluir os serviços, e mais sofisticada, em virtude, em especial, da velocidade da absorção da tecnologia.

Como se insere o Brasil nessa nova geopolítica global? (mais…)

TURBULÊNCIA NO REINO SAUDITA

Por Renato Whitaker

Para um observador externo, tempos interessantes pairam sobre o Reino da Arábia Saudita. A súbita ascensão de um novo herdeiro aparente em junho, o Ministro de Defesa Mohammad bin Salman, trouxe declarações surpreendentes desde então em prol da modernização da sociedade saudita. Além de anunciar um plano, até 2030, que visa à diversificação da economia para além do setor petrolífero, o futuro rei também fez comentário em outubro em prol da tolerância religiosa e o retorno nacional a um Islã moderado, algo inesperado devido ao apoio crucial que membros da vertente islamista ultraconservadora, wahabismo, historicamente prestaram à dinastia Saud. Tais declarações seguiram uma decisão real do seu pai, Rei Salman bin Abdulaziz Al Saud, de reverter o banimento de mulheres em poder dirigir e atender para o ano de 2018.

Essas manchetes marcantes, porém, ofuscaram drama nos bastidores do reino. Por décadas, o governo do país era exercido pela dinastia Saud, no qual o rei negociava o consenso político como um “primeiro entre iguais” com os membros de sua família. Cada ramo dessa família real, com seus numerosos príncipes e inter-relacionamentos sanguíneos, era encarregado do seu próprio setor da administração pública, muitas vezes o tratando como um tipo de feudo de patrocínio, influência e enriquecimento. Com a morte do Rei Abdul bin Abdulaziz em 2015, o Rei Salman bin Abdulaziz manobrou, cada vez mais, em prol da concentração da posse desses “mini-reinos” no seu ramo da família. Em junho, o afastamento do então herdeiro Muhammed bin Nayef, em prol do seu primo Mohhamad bin Salman, era mais uma etapa nessa consolidação.

O trâmite político eclodiu nesse último final de semana. Uma comissão de anticorrupção, chefiada pelo Príncipe Salman, executou a apreensão de 11 altos príncipes sauditas de sua própria família e dezenas de outros altos oficiais públicos por crimes financeiros diversos. Incluso nessa lista de apreendidos é um dos maiores empresários do país, Príncipe Alaweed bin Talal, o Ministro da Economia e Planejamento, Adel Fakeih, e o chefe da Guarda Nacional, Príncipe Miteb bin Abdullah, o quem mais parecia rivalizar Mohammad para o futuro trono. Com a demissão e apreensão desse último, e a nomeação de um aliado próximo do Príncipe Salman em seu lugar, os três ministérios ligados à segurança – as de Defesa, Interior e a Guarda Nacional – estão nas mãos do Príncipe Salman e seus aliados.

Os eventos de sábado são vistos como um expurgo pela imprensa global e analistas internacionais, um que exerce imensa pressão pelo acuamento do clero, servidores públicos e a intelligentsia. A repressão, contudo, está aclamada na mídia oficial saudita, e bem recebida pela população mais jovem do país – uma demografia, afligida pelo desemprego, que Príncipe Salman tem cortejado. Quiçá uma liberalização econômica e social, mas uma quadra política turbulenta, ainda imponente e cada vez mais afastada do modelo de consenso entre os lordes sauditas e mais concentrado nas mãos dos Salmans. O New York Times titulou, com ironia, uma manchete de sua reportagem “A Guerra Dos Tronos Chega à Arábia Saudita”.

Essa nova realidade política na Península ainda está sendo concretizada, mas já recebeu a aceitação discreta de Washington. A política externa, enquanto isso, não dá sinais de esfriamento; Iêmen, onde o Príncipe Salman coordenava a campanha anti-Houthi nos últimos anos, foi interditada no mesmo final de semana depois de ter lançados um míssil de médio alcance a Riad. Adicionalmente, o primeiro-ministro libanês, Saad Hariri, renunciou enquanto estava visitando Arábia Saudita no mesmo dia do expurgo.

É primariamente por causa disso que dirigentes e empresários brasileiros precisam estar cientes dos acontecimentos no Reino. Além de ser um mercado importante na pauta de exportações brasileiras (e uma fonte importante de importação de petróleo bruto), o país é a peça chave para a política regional do Oriente Médio, e, devido à sua centralidade na história islâmica, no mundo muçulmano em geral – mundo e países com os quais Brasil mantém vários elos diplomáticos. Os eventos desse final de semana já ecoaram no Líbano, terra natal de muitos imigrantes brasileiros; há de ser visto como evoluirá o quadro com Síria, Israel, Irã e outros países de interesse nacional.

 

 

COMO IMPEDIR O IRÃ NUCLEAR?

Comentário de Paulo Wrobel (IRI/PUC-Rio)

De todas as áreas onde as iniciativas recentes do presidente norte-americano Donald Trump parecem apontar na direção de alterações radicais em relação ao seu antecessor Barack Obama, talvez seja na área política-estratégica onde os riscos e os custos seriam maiores. Com excessões como Israel, Japão, Arábia Saudita e alguns poucos outros, as relações dos Estados Unidos com o resto do mundo vem se deteriorando sensivelmente durante os dez primeiros  meses da administração Trump. Medidas unilaterais como, entre outras, nas áreas ambiental, energética, comercial, no tocante ao multilateralismo e as organizações internacionais bem como nas alianças com parceiros tradicionais alteraram significativamente o quadro das relações no ano corrente.

Dada a seriedade e os riscos associados às medidas tomadas ou em vias de serem tomadas em questões político-estratégicas, creio que a postura americana diante da República Democrática Popular da Coréia (Coréia do Norte) e do Irã seriam os casos potencialmente mais graves no tocante a assegurar a confiança na liderança de Washington.

Recentemente, o presidente Trump anunciou que estaria enviando ao Congresso a não certificação do JCPOA (Joint Comprehensive Plan of Action). Recordo que este acordo foi concluído, após intensas negociações entre o Irã e o grupo P5+1 (os cinco membros do Conselho de Segurança mais a Alemanha) em julho de 2015. Em vigor por um período de entre dez e quinze anos, o acordo sofre, agora, o risco de ir a pique se o Congresso  autorizar o reestabelecimento de sanções comerciais à Teerã. (mais…)

O PERIGOSO CASO DE DONALD TRUMP

Por Rubens Barbosa

Durante a campanha eleitoral, Jeb Bush previu corretamente que Trump era o candidato do caos e que, caso eleito, seria um presidente do caótico. Questões de guerra e paz, armas nucleares, imigração e previdência social que afetam milhões de pessoas nos EUA e em outros países são tratadas surpreendentemente de maneira pública, muitas vezes contrariando as posições de seus ministros, em tweets matinais.

Decorridos dez meses da posse e diante das atitudes desconcertantes de Donald Trump, aumentam as incertezas sobre as perspectivas do atual governo norte-americano. O formato e o estilo de seus pronunciamentos públicos, sem precedentes na história política de Washington, a atitude quase autoritária de impor a sua vontade contra a de seus ministros e a maneira como pauta a Imprensa, atacada e desprezada por ele, causam perplexidade não só na política interna, sobretudo na relação com o Congresso, mas igualmente ao redor do mundo, em especial entre os principais aliados dos EUA na Europa e na Asia.

As ações unilaterais de Trump, em muitos casos incoerentes, estão mudando políticas em vigor sem definições alternativas. Disputas com aliados republicanos, opositores democratas e membros de seu ministério começam a ser percebidos como ameaças à estabilidade do governo, como indicam os primeiros pedidos de impedimento apresentados ao Congresso. Em várias frentes como saúde, imigração, na chamada guerra cultural, que se estende da briga com atletas por seus protestos contra a violência policial na hora do hino nacional à suspensão da proteção contra a discriminação a transgêneros no trabalho, Trump coleciona derrotas, embora muitos (mais de 38% da população) ainda o apoiam pelo que entendem ser a defesa dos valores americanos, perdidos com Obama.

A crescente falta de credibilidade da administração Trump junto aos governos europeus, em particular ao da Alemanha, começa a acarretar um gradual afastamento nas posições defendidas pelos dois lados. Em termos de segurança e defesa, de um lado, e de comércio de outro percebe-se uma gradual desvinculação da Europa e a busca de um caminho próprio na busca da defesa de seus interesses. (mais…)

O JAPÃO E A CRISE COM A COREIA DO NORTE

Por Rubens Barbosa

Quando se compara o entorno geográfico do Brasil na América do Sul com a vizinhança do Japão no Leste da Ásia, pode-se entender, em grande parte, porque a área externa não está presente no debate politico e econômico em nosso país. Ao contrário do Brasil, o Japão está cercado por países não democráticos e crescentemente hostis. China e Rússia são potências nucleares, que também dispõem de forte poderio militar convencional.

A Coreia do Norte com o desenvolvimento de armas nucleares e a crescente capacidade de lançamento de misseis balísticos coloca em risco a paz e a estabilidade na região. Com a recente ameaça de “afundar“ o Japão com ataque devastador e com os seguidos misseis cruzando o céu japonês, a tensão em Tóquio tem aumentado significativamente. Se a isso for acrescentado a secular relação de desconfiança desses países em relação ao Japão por razões históricas e as incertezas  em relação à garantia de apoio dos EUA, surgidas com a eleição do presidente Trump, descortina-se um quadro realista das razões da crescente perplexidade do governo e do povo japonês.

Os países diretamente envolvidos tem visão diferente em relação a Coreia do Norte. A China e a Rússia favorecem o diálogo e aceitam com relutância a escalada das sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU, desde 2006, por pressão sobretudo dos EUA, inclusive as últimas com restrições financeiras e limitação de fornecimento de petróleo. Washington ameaça países que continuam a manter laços comerciais com a Coreia do Norte, como a China. (mais…)

O BRASIL PRECISA SE REINDUSTRIALIZAR

Por Rubens Barbosa

O Brasil precisa se reindustrializar, diz embaixador Rubens Barbosa em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O Brasil deve restabelecer o dinamismo de sua política externa e ajustar suas posições à nova realidade global, avaliou nesta segunda-feira (2) o diretor-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), embaixador Rubens Barbosa. Ele participou do painel interativo “Lugar do Brasil em um mundo de transformações”. O evento integra o ciclo de debates “O Brasil e a Ordem Internacional: Estender Pontes ou Erguer Barreiras?”, promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Para Rubens Barbosa, o país ficou isolado nas negociações comerciais nos últimos anos, enquanto a globalização ainda avança, com o fortalecimento do regionalismo e do conhecimento da inovação.

Nos próximos 20 anos, vai-se jogar o futuro do Brasil dentro das correlações de força que estão se mostrando no cenário internacional. Temos que nos preparar para essas novas realidades, não podemos continuar isolados e afastados dos que está acontecendo no mundo. Temos que primeiro resolver o ajuste econômico, adotar políticas muito claras na questão cambial e na taxa de juros, com inovação. Caso contrário, o país não terá poder industrial importante na área de ponta. A reindustrialização do Brasil será feita na área de produtos que serão criados daqui para a frente — afirmou.

Barbosa disse ainda que o Brasil precisa definir sua estratégia de integração regional e seu papel em instituições como o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), além de ampliar seus contatos na América Latina, sobretudo com o México, e avaliar sua atuação junto aos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul). (mais…)