O BRASIL E O ATLÂNTICO SUL

Por Rubens Barbosa*

Na definição do Conceito Estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 2010, o Atlântico Sul não foi incluído como uma área geoestratégica prioritária, mas não se exclui totalmente a possibilidade de sua atuação “onde possível e quando necessário”, caso os interesses dos membros sejam ameaçados. Portugal, nessa discussão, apoiou a Iniciativa da Bacia do Atlântico, que previa a unificação dos oceanos, com incorporação dos assuntos do Atlântico Sul no escopo estratégico da organização.

Em pronunciamento recente, o atual ministro da defesa Nacional, Joao Gomes Cravinho, observou que “a segurança do espaço euro-Atlântico tem de ser pensada a partir das pontes que o Atlântico permite criar e para as quais Portugal tem um posicionamento privilegiado para contribuir ativamente”.

Dentro desse entendimento, Portugal está criando o Centro para a Defesa do Atlântico (CeDA) na ilha dos Açores. O CeDA tem como objetivo a reflexão, a capacitação e (mais…)

INFRAESTRUTURA E COMÉRCIO EXTERIOR

Por Rubens Babosa*

A perda da competitividade da economia brasileira é um problema sistêmico e sua correção demandará um enorme esforço por parte do governo e do setor privado para recolocar o Brasil na rota do crescimento a níveis elevados e do aumento das exportações de produtos manufaturados.

O comércio exterior é uma das áreas mais afetadas pelos altos custos e ineficiências da economia.  O Brasil possui sérias deficiências na infraestrutura de distribuição de bens e serviços. A densidade das malhas rodoviárias e ferroviárias está bem abaixo dos países desenvolvidos e até mesmo dos emergentes. Em avaliações qualitativas recentes em matéria de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, o pais apresenta padrões mais desfavoráveis, se comparado com outros grupos de países.

As despesas de transporte, manutenção da frota e armazenagem representam uma fração relevante dos custos das indústrias e dos exportadores. As limitações na infraestrutura logística, como a saturação da capacidade e a precária conservação de grande parte das rodovias e vias de transporte urbano acarretam no Brasil custos bem superiores aos que são arcados por indústrias instaladas em países com melhor infraestrutura e (mais…)

INTERLOCUÇÃO – PROGRAMA TV ESTADÃO-IRICE

Primeira Edição – 23/08/2019

Dentro das iniciativas do IRICE para 2019, começou a parceria TV Estado e o Instituto para a transmissão, inicialmente mensal,  de programa sobre política externa e comercio exterior. Assim sendo, foi ao ar no dia 23 de agosto passado a primeira edição do programa Interlocução:  O Brasil no Mundo.  Nesse primeiro encontro, com a participação também do editor internacional do Estadão,  Rodrigo Cavalheiro, foram discutidas questões relativas à eleição americana, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e as relações bilaterais entre Brasil e EUA. Para assistir à íntegra da entrevista: https://youtu.be/RJa9bP8pSUw.

 

DIPLOMACIA AMBIENTAL

Por Rubens  Barbosa*

O debate atual sobre as queimadas, o desmatamento e o garimpo ilegais ganhou repercussão internacional e transformou-se na mais grave crise externa brasileira desde os anos 70 e 80, causada também por críticas às politicas de meio ambiente e de direitos humanos.

No Brasil, vivíamos em um governo militar e um de seus dogmas era “Amazônia, integrar para não entregar”. A visão defensiva prevalecia em 1972, por ocasião da histórica Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, organizada pela ONU, em Estocolmo. A retórica do atual governo repete os argumentos dos militares de então. Na época, a sanção foi politica, com a deterioração da imagem do Brasil no exterior.

No último dia 29, sucedi ao naturalista e homem público Paulo Nogueira Neto na Academia Paulista de Letras. Em discurso de posse, recordei a atualidade da atuação de Nogueira Neto, responsável pela politica ambiental, pela legislação interna e pela criação de estruturas administrativas como a SEMA e Ibama, que desaguaram no atual Ministério de Meio Ambiente. No âmbito governamental, participou da referida Conferência de Estocolmo de Chefes de Estado. A atuação do Brasil é lembrada por (mais…)

EX EMBAIXADOR RUBENS BARBOSA TOMA POSSE NA ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS

Com a presença de eminentes acadêmicos e ilustres convidados, ocorreu no dia 29 de agosto passado a cerimônia de posse do diplomata e ex Embaixador Rubens Barbosa na Academia Paulista de Letras, eleito em junho passado. Em seu discurso de posse (https://drive.google.com/open?id=1ve_NA9Bb7NkxKPhgEw30aw4ZZL_lFRop),  o diplomata agradeceu o reconhecimento da Academia e  manifestou sua honra em ocupar  a cadeira 10, cujo patrono é o emérito Cesário Mota Junior.  A cadeira foi ocupada entre 1991 e 2019 pelo naturalista e professor Paulo Nogueira Neto, falecido no inicio deste ano.

 

PRESIDÊNCIA BRASILEIRA NO MERCOSUL

Por Rubens Barbosa*

O Brasil assumiu em julho a presidência do Mercosul com a proposta de uma ampla revisão do funcionamento e das politicas do grupo sub-regional depois de 28 anos de sua criação pelo Tratado de Assunção.

Os países do MERCOSUL equivalem à quinta economia do mundo. Desde sua fundação, as trocas comerciais do agrupamento multiplicaram-se quase dez vezes: de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 44,9 bilhões, em 2018.

Durante a presidência, o Brasil – segundo se anunciou – buscará intensificar a negociação de acordos comerciais externos, reduzir a Tarifa Externa Comum e dar seguimento aos esforços de racionalização do funcionamento do bloco.

A presidência brasileira, que se estenderá até o final deste semestre, ocorre em momento de rara convergência entre os quatro membros fundadores. Todos agora buscam transformá-lo em instrumento para reforçar a competitividade e aumentar a integração de suas economias com os mercados regional e global por meio de politicas liberalizantes e de facilitação do intercâmbio intra-Mercosul. Essa convergência vai ser testada nas eleições presidenciais de outubro na Argentina.

A conclusão das negociações com a UE pode ser o fator galvanizador que deverá ajudar os países membros a implementar mudanças longamente aguardadas. O  fim do isolamento e a ampliação dos (mais…)

NÊUMANNE ENTREVISTA RUBENS BARBOSA – “ESTAÇÃO NÊUMANNE”

Autorizado pela experiência adquirida como embaixador do Brasil em Londres e Washington, Rubens Barbosa acredita que “o acordo comercial Mercosul-União Europeia pode trazer, em médio prazo, em dois ou três anos, quando entrar em vigência, resultados bastante positivos para as exportações brasileiras, se melhorarem as condições de competitividade da economia e do setor produtivo nacional”. Protagonista do Nêumanne Entrevista da semana no blog, ele avisa que “para a redução do chamado custo Brasil devemos avançar na agenda de reformas, de redução do papel do Estado e da desburocratização. Sem isso dificilmente o setor industrial poderá beneficiar-se das preferências que receberá com a abertura do mercado europeu”. Barbosa prevê ainda que, seja qual for o resultado da eleição na Argentina, o Brasil não se afastará do vizinho, ao contrário do que parece que o faria por conta dos insultos trocados recentemente entre o presidente Jair Bolsonaro e o vencedor das eleições prévias de 11 de agosto, o peronista Alberto Fernández, “por determinismo geográfico”. O diplomata adverte ao governo brasileiro que o meio ambiente é um tema que entrou na pauta internacional para ficar. http://neumanne.com/nov…/neumanne-entrevista-rubens-barbosa/ (mais…)

SEMINÁRIO: A IMPORTÂNCIA DAS HIDROVIAS NO BRASIL

Por uma política para as Hidrovias

O IRICE e o Instituto de Engenharia convidam para um seminário sobre o desenvolvimento das hidrovias brasileiras, no próximo dia 27 de agosto. O seminário contará com a participação de representantes do Governo Federal  e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, dentre outros representantes do governo e do setor privado.

O modal hidroviário tem grande potencial para se transformar em vetor de desenvolvimento nacional e de integração regional, integrando e se integrando a todos os demais modais de transporte – a partir de seus 44.000 km potencialmente navegáveis apenas em território nacional. A hidrovia é o modal mais barato e eficiente para grandes cargas a longas distâncias – além de ser aquele que gera o menor impacto do ponto de vista ambiental.

O modal hidroviário apresenta grandes oportunidades como indutor e condutor da eficiência logística, contribuindo para promover a modernização das diversas regiões do Brasil – e por isso o seu fomento demanda um olhar estratégico por parte do poder público.
 
Além das vantagens em toda a cadeia logística, um mundo de novas oportunidades se abre ao modal hidroviário quando se olha o potencial de integração fluvial na América do Sul, e sua maior relevância competitiva e estratégica diante da recente assinatura do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia. 

Uma efetiva política de incentivo à hidrovia no Brasil poderá destravar grandes oportunidades para a integração fluvial da América do Sul, a partir da interligação da Hidrovia Tietê-Paraná, Rio da Prata com o eixo de acesso ao Pacífico – via Argentina e Chile – uma via navegável e de baixo custo sobre mais de 6.000 km de integração hidroviária
.

Para a programação e inscrição (gratuita), acesse aqui: https://www.institutodeengenharia.org.br/site/events/a-importancia-das-hidrovias-no-brasil/

27 de agosto
Local: Instituto de Engenharia – Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 – Vila Mariana – São Paulo 
Inscrições: divtec@iengenharia.org.br