SERGIO CORREA DA COSTA

Por Rubens Barbosa*

O centenário de nascimento do embaixador Sergio Correa da Costa, em 19 de fevereiro, nos permite rememorar algumas das facetas de um dos mais importantes representantes de uma geração de diplomatas que marcou de forma indelével sua passagem pelo Itamaraty. Correa da Costa, junto com Roberto Campos, Azeredo da Silveira, Ramiro Saraiva Guerreiro, Gibson Barbosa, Vasco Leitão da Cunha, Jorge Carvalho e Silva, Mozart Gurgell Valente, Miguel Ozorio, Antonio Correa do Lago, entre outros, deram sua contribuição para que a Chancelaria brasileira se afirmasse como uma instituição a serviço do Estado, acima de partidos ou de ideologias.

Diplomata de carreira, mas com interesses que iam além das atividades como servidor público exemplar, atuou como consultor no setor privado e (mais…)

TRANSFERÊNCIA DA EMBAIXADA PARA JERUSALÉM

Por Rubens Barbosa*

Durante a campanha eleitoral, o candidato Bolsonaro disse que, se eleito, iria transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. “Israel é um Estado soberano, que decide qual é sua capital e nós vamos seguí-los“. A promessa respondia à reivindicação da comunidade evangélica, que apoiava fortemente o candidato. Depois de eleito, o presidente decidiu dar prioridade as relações com Israel e se comprometeu a concretizar a transferência a ninguém menos do que o Primeiro Ministro Benjamin Natanyahou que, em entrevista, disse que a “questão não era se, mas quando”. Posteriormente, Bolsonaro recuou ao afirmar que “essa não é uma questão de honra“ e “por hora“ não haveria transferência, o que deve ter estimulado o Vice-Presidente Mourão a receber duas delegações árabes e observar publicamente que “não haverá mudança da embaixada para Jerusalém”. O Ministro Araujo qualificou  declarações anteriores e notou que “a decisão seria parte de um processo de elevação do patamar da relação com Israel, isso sim uma determinação, independente da (mais…)

POLÍTICA NUCLEAR BRASILEIRA: O URANIO É NOSSO?

Por Rubens Barbosa*

Com uma visão de médio e longo prazo, o Brasil deveria rever sua politica em relação à pesquisa, prospecção e lavra do urânio.

O desastre com a usina nuclear de Fukushima no Japão em 2011 determinou o fechamento de usinas na Alemanha e no Japão e ocasionou, em muitos países, a desaceleração de planos para a construção de novas usinas atômicas para geração de energia. Com isso reduziu a demanda do urânio e do plutônio, combustíveis para essas centrais.

O mercado internacional para o urânio vem num movimento de alta, cotado ao redor de 65 dólares por quilo, ainda 60% abaixo do pico alcançado em 2011. A situação mudou. Enquanto naquela época os contratos spot eram reduzidos, agora, o custo de produção aumentou e os contratos a longo prazo estão expirando (existem poucos para além de 2020).  Segundo opinião de especialistas internacionais, a tendência de longo prazo parece clara: a demanda global deve aumentar perto de 45% ate 2025. A China tem 19 reatores nucleares em construção e mais (mais…)

PANORAMA BRASIL-RUSSIA – Boletim no. 01

PANORAMA BRASIL-RUSSIA – Embaixada do Brasil em Moscou – Boletim no. 01 –  Fevereiro 2019

É com grande satisfação que apresento o primeiro número do Panorama Brasil-Rússia, boletim mensal de notícias, em formato digital e conciso, destinado a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.    Espero que a iniciativa contribua para divulgar, ao público interessado no Brasil e na Rússia, a variedade e a riqueza das relações entre os dois países, bem como as diversas oportunidades que se abrem para a cooperação entre as duas sociedades.  São nossos desejos e expectativa que o Panorama sirva não apenas para informar, mas sobretudo para aproximar todos aqueles que se interessam e trabalham pelo aprofundamento e a ampliação das relações entre Brasil e Rússia, razão pela qual quaisquer sugestões, indagações e ideias serão sempre bem-vindas.

Boa leitura!
Tovar da Silva Nunes
Embaixador do Brasil em Moscou

ALIMENTOS E GLOBALIZAÇÃO NO IMPÉRIO BRITÂNCIO

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 02/02/2019

Marcos Sawaya Jank (*)

Busca por comida criou império militar, comercial e gerador de migrações

O Brexit, processo que levou o Reino Unido a sair da União Europeia, transformou-se numa decisão caótica e autodestrutiva para os ingleses. O Reino Unido se isola sem saber para onde vai. Movimentos anti-integração e anti-imigração ganham força nos EUA e na Europa. Medidas protecionistas tendem a reduzir ou a “administrar” o comércio internacional, os órgãos e acordos multilaterais estão sendo repensados, surgem guerras comerciais, tecnológicas e, agora, perseguições pontuais a empresas estrangeiras. Em suma, o mundo parece querer frear o processo de globalização.

Mas a história é feita de ciclos que vão e vem, de forma pendular. Curiosamente a mesma nação que hoje não sabe o que fazer com o Brexit, conseguiu, há 200 anos, tomar medidas radicais que formataram o mundo moderno, produzindo o primeiro movimento de globalização em escala mundial.

Esse é o tema de “The Hungry Empire: How Britain’s Quest for Food Shaped the Modern World” (O Império esfomeado: como a busca dos britânicos por alimentos formatou o mundo moderno), escrito pela professora Lizzie Collingham em 2017. A obra defende a tese de que a força motriz do poderoso Império Britânico no século 19 foi a busca por comida, que (mais…)

PRIORIDADES DA POLÍTICA EXTERNA PARA OS PRIMEIROS CEM DIAS

Por Rubens Barbosa* 

Segundo o texto que teria sido apresentado em reunião ministerial, as propostas, feitas pelo Ministro Ernesto Araújo, para os primeiros cem dias do governo Bolsonaro, foram:

1) visita do presidente Bolsonaro aos EUA e lançamento das bases de Acordo de Parceria Brasil-EUA ou instrumento similar, que incluirá o lançamento de um acordo comercial, bem como entendimentos em segurança, tecnologia e defesa;

2) visita do presidente Bolsonaro a Israel com a criação de parcerias em segurança, tecnologia e defesa;

3) inicio do processo e revisão do Mercosul para aperfeiçoamento de instrumentos favoráveis ao (mais…)

O MUNDO E O BRASIL EM 2019

Por Rubens Barbosa*

Os recentes acontecimentos, conflitos, alianças e eleições ao redor do mundo apontam para uma conclusão dramática: 2019 poderá ser considerado, dentro de uma perspectiva histórica, o fim de uma era. O corrente ano pode ser descrito como um período de transição entre a era pos-guerra fria e uma nova, apenas no aguardo de uma definição. Será um ano em que veremos um grande número de eventos nos levando a situações, em muitos casos, sem retorno. Será um ano de ansiedades e expectativas, suspeitas e medo do que o futuro pode trazer, na medida em que os países procurarão adiar o começo de crises que não poderão evitar.

Na economia global, no cenário politico internacional e na geopolítica podem ser identificados movimentos que deverão caracterizar a nova etapa que apenas se inicia.

A economia global dá claros sinais de esgotamento. O crescimento das economias desenvolvidas e emergentes (mais…)

ALINHAMENTO AUTOMÁTICO OU INTERESSE NACIONAL

Por Rubens Barbosa*

A nova geopolítica nas relações hemisféricas abre oportunidades para a expansão das relações Brasil-EUA que não existiram em nenhum outro momento nas últimas décadas. As duas maiores democracias no hemisfério, como é normal, têm interesses e valores convergentes, mas também outros divergentes, que impediam uma maior aproximação entre os dois governos. Razões ideológicas, nos últimos anos, impediram que matérias de nosso interesse fossem tratadas, com prejuízo direto ao cidadão comum e a projetos de grande alcance.

As relações políticas e diplomáticas do Brasil com os EUA a partir de 2019 devem passar por radical transformação. Declarações do presidente eleito de que “as relações com os EUA ganharão prioridade”, de Eduardo Bolsonaro de que “o Brasil está (mais…)

A NOVA GEOPOLÍTICA NAS AMÉRICAS

Por Rubens Barbosa*

O pensamento mais moderno da geopolítica mostra a crescente importância do regionalismo, como evidenciados pelos acordos de integração na Europa, América do Norte, Ásia e agora África.

O Continente americano passa por significativas transformações políticas e econômicas que terão consequências na geopolítica regional. O governo de esquerda do México e as incertezas nas relações com o vizinho EUA, o governo de direita no Brasil e seus efeitos sobre o entorno geográfico, o novo governo de Cuba, a deterioração das instáveis Venezuela e Nicarágua, as dificuldades econômicas na Argentina, a persistente baixa prioridade da região para a (mais…)