FRANÇA DIVIDIDA

Por Rubens Barbosa*

De passagem por Paris, procurei entender a controvérsia em curso hoje na França sobre a reforma da previdência social. O pais está dividido entre a pressão de parte da sociedade para preservar regimes especiais de aposentadorias e a necessidade de se ajustar a um mundo em rápida transformação.

A eleição presidencial de 2017 trouxe uma forte renovação na vida política da França. A vitória do presidente Macron contra o establishment e contra os extremos de direita e da esquerda, deu-lhe um mandato para reformar o pais. Criou-se uma grande expectativa pelo anúncio de reformas muito semelhantes à da atual agenda brasileira: reforma das relações trabalhistas, previdência social, redução de privilégios corporativos, tributária, educação, redução do gasto público e mudanças na economia para melhorar a competitividade dos produtos franceses. Depois de dois nos e meio de governo, não houve muitos avanços: os impostos não foram reduzidos, nem o desemprego (8,5%), o déficit comercial é crescente e poucas reformas foram efetuadas (35 horas de trabalho semanal continuam). A crise política e social vivida pelo governo Macron tem como substrato uma rápida deterioração da dívida pública que, em setembro, alcançou seu recorde histórico de 100,2% do PIB, sem perspectiva de redução do gasto.

As medidas iniciais geraram forte reação e manifestações dos coletes amarelos. A resposta do governo foi a organização de “grandes debates” para abordar todas as reivindicações populares e as reformas propostas. O resultado dos encontros mostrou algumas áreas de consenso nacional, como a urgência de providencias relacionadas com a mudança do (mais…)

BIOECONOMIA E ZONA FRANCA DE MANAUS REUNIDAS EM ESTRATÉGIA INTEGRADA

Por José Luiz Tejon*  para a Rádio Jovem Pan (04/01/2020)

A bioeconomia está sendo estudada pelo Ministério de Ciências e Tecnologia que aponta para um mercado de mais de US$ 4 trilhões no mundo, e que o Brasil poderia obter 20% desse valor. Significaria cerca de US$ 800 bilhões, o que por si só é muito maior do que o atual agronegócio brasileiro, calculado em torno de US$ 500 bilhões quando somados todos os elos de sua corrente, da genética até o consumidor final. Para a íntegra da matéria: https://blog.jovempan.com.br/cabecadelider/principal/bioeconomia-e-zona-franca-de-manaus-reunidas-em-estrategia-integrada/

* Palestrante internacional, Professor e Autor.

O QUE A MORTE DE QASSEM SOLEIMANI IMPLICA PARA O BRASIL?

Por Renato Whitaker *

Na madrugada de 3 de janeiro, um ataque aéreo lançado por um “drone” não tripulado dos Estados Unidos (EUA) matou pelo menos duas pessoas no Aeroporto Internacional de Bagdá. Uma das baixas foi o major-general iraniano Qasem Soleimani – e desde que seu assassinato fora confirmado, analistas de ramos desde a política e segurança internacional aos adivinhos dos mercados estão na alerta máxima para a ampliação do conflito e instabilidade no Oriente-Médio.

Qasem Soleimani era o comandante-mor da Força Quds – a brigada do Exército dos Guardiães da Revolução Islâmica responsável pela guerra clandestina, não convencional e do apoio a militâncias islâmicas aliadas ao Irão no entorno geográfico do país (de fato, a outra baixa confirmada na noite do ataque foi o chefe subalterno de um grupo militante iraquiano apoiado por Teerã).  O Exército dos Guardiões é um poder militar paralelo na República Islâmica e, crescentemente, um poder político considerável. Soleimani era sublinhado como sendo a segunda pessoa mais importante no aparato governamental iraniano; seu assassinato já foi apresentado como sendo o equivalente à morte de o chefe da câmara ou até a um vice-presidente em um sistema governamental presidencialista.

Os EUA e Irão estão num embate por décadas pela controle e influência geopolítica no Oriente Médio, particularmente nos moldes da competição milenar entre poderes políticos dos mulçumanos sunitas e xiitas. Em anos mais recentes, esse (mais…)

BIO-ECONOMIA E A ZONA FRANCA DE MANAUS

Por Rubens Barbosa*

O tema do meio ambiente entrou definitivamente na agenda global. E mais cedo ou mais tarde voltará a ser uma prioridade para o governo brasileiro por realismo político e por razões pragmáticas.

Diante das atitudes do atual governo, são crescentes as ameaças de prejuízo para o setor do agronegócio pela possibilidade de boicote de consumidores e pela crescente influência da política ambiental sobre as negociações comerciais. A atuação na defesa dos legítimos interesses do setor, está levando as associações das diferentes áreas e a Frente parlamentar da Agropecuária, a defender mais atenção aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nos acordos assinados desde 1992 e, sobretudo, uma atenuação da retorica governamental e uma correção de rumo de algumas políticas anunciadas pelo governo.

As percepções criticas no exterior tem como foco a Amazônia.  Recentemente, as queimadas e o desmatamento foram alvo de manifestações no mundo inteiro. Informações distorcidas e meias verdades se misturaram a fatos reais, ampliando as (mais…)

EM QUESTÃO: MERCOSUL

Rubens Barbosa*

A discussão sobre o futuro do Mercosul tornou-se urgente. Não se trata de um debate no vácuo ou teórico. Há uma situação real que tem de ser examinada à luz dos interesses concretos do governo e do setor privado.

Essa discussão tem necessariamente de levar em conta as recentes modificações políticas e econômicas resultantes das últimas eleições no Brasil, com tendência liberal na economia e a vitória da centro-esquerda na Argentina. O fim do isolamento do Mercosul, com a conclusão das negociações com a União Europeia (UE) e a EFTA, e mais as consequências de eventual redução da Tarifa Externa Comum (TEC), a ampliação da rede de acordos comerciais (inclusive um improvável acordo com os EUA) e a repercussão da crise ambiental na Amazônia sobre a ratificação do acordo com a UE e EFTA não podem ser descartados. Deve-se também ter presente as transformações globais que apontam para uma mudança do eixo econômico para a Ásia e a guerra comercial entre os EUA e a China.

Nas últimas reuniões presidenciais do Mercosul, na Argentina, e na semana passada no Brasil, os governos tomaram a decisão de adotar medidas para fazer do Mercosul novamente um instrumento de abertura comercial, conforme previsto no Tratado de Assunção. As principais decisões tomadas pelos presidentes reforçaram o Mercosul e focalizaram as regras econômicas, o enxugamento das instituições e a facilitação do comércio. O Brasil apresentou (mais…)

O BRASIL E O MERCADO ESPACIAL GLOBAL

Rubens Barbosa*

A ratificação pelo Congresso Nacional do Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST) com os EUA torna possível o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Com isso, ficam viabilizadas significativas perspectivas comerciais para o Brasil entrar em um mercado anual de mais de US$ 12 bilhões, em especial no de satélites de pequeno porte.

O interesse brasileiro é de tornar possível um centro de lançamento competitivo, o que permitirá a entrada do Brasil no nicho de mercado de satélites de telecomunicações e de meteorologia.

Com a entrada em vigor do acordo, o grande desafio agora será tornar o Centro operativo para lançamento de satélites no prazo mais curto possível. Para tanto, serão necessárias medidas de caráter politico  para abrir ao Brasil as portas do importante mercado global espacial. A partir de agora, espera-se que o governo federal acelere e (mais…)

MAIS INSTABILIDADE NA FRONTEIRA DO BRASIL

Por Rubens Barbosa*

O golpe não é contra Evo Morales, mas dele próprio  – Opinião – Folha de São Paulo – 12/11/2019

O movimento popular contra o resultado das eleições na Bolívia pode ser comparado a manifestações de frustração que estão ocorrendo em outros países, como Líbano, Iraque e Chile, por conta da insatisfação com a política, com a economia e com os problemas sociais. São ações organizadas por jovens, sem liderança política ou partidária. Cada país tem as suas especificidades. Para ler a íntegra da matéria:https://folha.com/o4law752

*Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior

O DESAPARECIMENTO DO CENTRO

Por Rubens Barbosa*

Com o desaparecimento do voto moderado de centro, a votação do referendum que aprovou a saída do país da União Europeia mudou radicalmente o cenário político no Reino Unido. A busca desse voto sempre teve muita influência nas eleições britânicas. As eleições deixaram de ser uma disputa entre a esquerda (trabalhista) e a direita (partido conservador) acima das diferenças ideológicas econômicas e sociais. Quando as eleições são disputadas tendo como foco questões econômicas entre esquerda e direita, os partidos políticos podem escolher um ponto ao meio, mais moderado, e conquistar votos decisivos. Em contraposição, quando se trata de política de identidade ou questões que envolvam grandes reformas não há possibilidade de negociação. É mais fácil haver compromisso em questões econômicas, como impostos e salários, e muito mais difícil quando se trata de noções como soberania e papel do Estado.

Com a discussão sobre o BREXIT como tópico principal da eleição britânica de 12 de dezembro, o voto de centro terá pouca influência pela polarização entre os que querem sair e os que querem permanecer na UE. Desapareceu o senso comum de que o partido que pudesse focalizar as preocupações do eleitor de centro poderia ganhar, enquanto que os partidos que buscassem os extremos seriam derrotados.

As posições moderadas de centro também estão desaparecendo em muitos países tendo como pano de fundo a insatisfação da população com a crescente concentração de renda, a pobreza e a falta de oportunidades de emprego. Essa frustração se materializa em manifestações e confrontações em países como Líbano, Iraque, Hong Kong, França e, na América do Sul, no (mais…)

SEMINÁRIO: DIPLOMACIA AMBIENTAL: Meio Ambiente e Comércio Exterior

O Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE) e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), com apoio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), realizarão dia 03 de dezembro o terceiro encontro sobre Diplomacia Ambiental. Com foco no Acordo Mercosul-União Europeia, contaremos com palestrantes do setor acadêmico, consultores em sustentabilidade, e do setor privado, e serão abordadas questões relativas ao capítulo de desenvolvimento sustentável do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia.  O encontro acontecerá no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) – no período das 08:30 às 13:00 hs.

 

FORTALECIMENTO DA CAMEX

Por Rubens Barbosa*

Depois de longa discussão dentro do governo, foi divulgado, no último dia 4, decreto que regulamenta a Câmara de Comércio Exterior (CAMEX) do Ministério da Economia. Trata-se da mais profunda modificação desde sua criação.

A Camex tem por competência formular a adoção, a implementação e a coordenação de políticas e de atividades relativas ao comércio exterior de bens e serviços, além do financiamento das exportações, com vistas a promover o aumento da produtividade e da competitividade do país. Também competem à CAMEX questões relacionadas aos investimentos estrangeiros diretos e aos investimentos brasileiros no exterior,

Passam a integrar a CAMEX o Conselho de Estratégia Comercial, o Comitê-Executivo de Gestão, a Secretaria-Executiva, o Conselho Consultivo do Setor Privado, o Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações, o de Alterações Tarifárias, o de Defesa Comercial além do Comitê Nacional de Facilitação de Comércio. (mais…)