O MUNDO E O BRASIL EM 2019

Por Rubens Barbosa*

Os recentes acontecimentos, conflitos, alianças e eleições ao redor do mundo apontam para uma conclusão dramática: 2019 poderá ser considerado, dentro de uma perspectiva histórica, o fim de uma era. O corrente ano pode ser descrito como um período de transição entre a era pos-guerra fria e uma nova, apenas no aguardo de uma definição. Será um ano em que veremos um grande número de eventos nos levando a situações, em muitos casos, sem retorno. Será um ano de ansiedades e expectativas, suspeitas e medo do que o futuro pode trazer, na medida em que os países procurarão adiar o começo de crises que não poderão evitar.

Na economia global, no cenário politico internacional e na geopolítica podem ser identificados movimentos que deverão caracterizar a nova etapa que apenas se inicia.

A economia global dá claros sinais de esgotamento. O crescimento das economias desenvolvidas e emergentes (mais…)

ALINHAMENTO AUTOMÁTICO OU INTERESSE NACIONAL

Por Rubens Barbosa*

A nova geopolítica nas relações hemisféricas abre oportunidades para a expansão das relações Brasil-EUA que não existiram em nenhum outro momento nas últimas décadas. As duas maiores democracias no hemisfério, como é normal, têm interesses e valores convergentes, mas também outros divergentes, que impediam uma maior aproximação entre os dois governos. Razões ideológicas, nos últimos anos, impediram que matérias de nosso interesse fossem tratadas, com prejuízo direto ao cidadão comum e a projetos de grande alcance.

As relações políticas e diplomáticas do Brasil com os EUA a partir de 2019 devem passar por radical transformação. Declarações do presidente eleito de que “as relações com os EUA ganharão prioridade”, de Eduardo Bolsonaro de que “o Brasil está (mais…)

A NOVA GEOPOLÍTICA NAS AMÉRICAS

Por Rubens Barbosa*

O pensamento mais moderno da geopolítica mostra a crescente importância do regionalismo, como evidenciados pelos acordos de integração na Europa, América do Norte, Ásia e agora África.

O Continente americano passa por significativas transformações políticas e econômicas que terão consequências na geopolítica regional. O governo de esquerda do México e as incertezas nas relações com o vizinho EUA, o governo de direita no Brasil e seus efeitos sobre o entorno geográfico, o novo governo de Cuba, a deterioração das instáveis Venezuela e Nicarágua, as dificuldades econômicas na Argentina, a persistente baixa prioridade da região para a (mais…)

NACIONALISMO, PATRIOTISMO E INTERESSE NACIONAL

Por Rubens Barbosa*

As comemorações pelo centenário do fim da guerra 1914-18, em Paris, reforçaram minha convicção de que estamos vivendo tempos estranhos e um momento de grande complexidade e incerteza no cenário internacional com consequências para todos os países.

Foi curioso ver pequenos detalhes protocolares desencadearem reações políticas, como no caso da Servia, que se sentiu insultada pela baixa posição que seu presidente ocupou em relação ao Kosovo, colocado mais próximo ao presidente francês pelo cerimonial. Afinal, foi em Sarajevo que tudo começou. Notei a ausência do Brasil, convidado pela primeira vez em um encontro dessa magnitude e que seria uma oportunidade para mostrar que nosso pais existe, tem presidente, e (mais…)

A POLÍTICA EXTERNA E O NOVO GOVERNO

Por Rubens Barbosa*

O presidente Jair Bolsonaro enfrentará o mais imprevisível e complexo cenário internacional desde 1945. O multilateralismo (ONU e OMC) e a globalização estão sob ataque com o risco concreto de uma guerra protecionista, colocando em perigo a ordem liberal e ameaçando trazer de volta a recessão.

Políticas equivocadas nos 15 anos do PT colocaram o Brasil em uma situação de isolamento nas negociações comerciais, de atraso na inovação e tecnologia, de perda de poder, (mais…)

RADAR GENEBRA – Boletim Semanal

78a. Edição – 5 a 9 de novembro de 2018

Publicação semanal elaborada pela Turma do Programa de Formação Complementar e Pesquisa em Comércio Internacional mantido pela Delegação do Brasil junto à OMC.  O documento visa traçar um panorama não exaustivo dos principais acontecimentos nos temas de acompanhamento deste posto diplomático, destacando notícias relevantes, publicações recentes e eventos de interesse que ocorrerão em Genebra e outras localidades. Para acompanhar nossa atuação nos fóruns multilaterais em Genebra, siga também a Missão do Brasil junto à OMC e outros Organismos Econômicos Internacionais nas redes digitais!  https://www.facebook.com/BrasilOMC/

Para a íntegra desta edição:  https://drive.google.com/open?id=1EJ-hPH0RfKHQSIdcPs0VjHYFSmald1sV

AS ELEIÇÕES E A CRISE

Por Rubens Barbosa*

A sociedade brasileira ainda não se deu conta da gravidade e da profundidade da crise em que o país se encontra e dos desafios que o novo governo deverá enfrentar.

As demandas internas são semelhantes àquelas que tiveram influência decisiva nas eleições americanas, na Argentina, na Colômbia e no México: descontentamento generalizado com a corrupção em todos os níveis, com a crescente violência, pobreza e desigualdade entre as pessoas e regiões. A percepção da injustiça (enquanto muitos trabalham, outros continuam a roubar),  da falência do Estado (que cresceu muito, aumenta impostos e oferece serviços ineficientes), da desordem pública (com a desobediência às leis), do custo e do tempo perdido com a burocracia crescente, entre outros fatores, gerou o clima que, como em outros países, fez com que os eleitores “ficassem contra tudo que está aí”. As preocupações se concentraram sobretudo na necessidade de estabilidade econômica, austeridade fiscal e governança da administração pública. A nossa carga tributária é uma das maiores do mundo, a economia permanece fechada e a desindustrialização afeta todos os setores. O país dividido entre o “nós e o eles”, a classe política, o Congresso e mesmo o Judiciário com baixo nível de aceitação pela opinião pública expuseram as flagrantes deficiências do governo.

Na recente campanha, os candidatos pouco focaram nesses temas, nem demonstraram liderança política clara que pensasse e atuasse com visão de futuro para indicar os caminhos do crescimento e do emprego. Alguns temas passaram longe das preocupações dos candidatos. Defesa, Política Externa, Comércio Exterior e (mais…)