PRESIDÊNCIA BRASILEIRA NO MERCOSUL

Por Rubens Barbosa*

O Brasil assumiu em julho a presidência do Mercosul com a proposta de uma ampla revisão do funcionamento e das politicas do grupo sub-regional depois de 28 anos de sua criação pelo Tratado de Assunção.

Os países do MERCOSUL equivalem à quinta economia do mundo. Desde sua fundação, as trocas comerciais do agrupamento multiplicaram-se quase dez vezes: de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 44,9 bilhões, em 2018.

Durante a presidência, o Brasil – segundo se anunciou – buscará intensificar a negociação de acordos comerciais externos, reduzir a Tarifa Externa Comum e dar seguimento aos esforços de racionalização do funcionamento do bloco.

A presidência brasileira, que se estenderá até o final deste semestre, ocorre em momento de rara convergência entre os quatro membros fundadores. Todos agora buscam transformá-lo em instrumento para reforçar a competitividade e aumentar a integração de suas economias com os mercados regional e global por meio de politicas liberalizantes e de facilitação do intercâmbio intra-Mercosul. Essa convergência vai ser testada nas eleições presidenciais de outubro na Argentina.

A conclusão das negociações com a UE pode ser o fator galvanizador que deverá ajudar os países membros a implementar mudanças longamente aguardadas. O  fim do isolamento e a ampliação dos (mais…)

NÊUMANNE ENTREVISTA RUBENS BARBOSA – “ESTAÇÃO NÊUMANNE”

Autorizado pela experiência adquirida como embaixador do Brasil em Londres e Washington, Rubens Barbosa acredita que “o acordo comercial Mercosul-União Europeia pode trazer, em médio prazo, em dois ou três anos, quando entrar em vigência, resultados bastante positivos para as exportações brasileiras, se melhorarem as condições de competitividade da economia e do setor produtivo nacional”. Protagonista do Nêumanne Entrevista da semana no blog, ele avisa que “para a redução do chamado custo Brasil devemos avançar na agenda de reformas, de redução do papel do Estado e da desburocratização. Sem isso dificilmente o setor industrial poderá beneficiar-se das preferências que receberá com a abertura do mercado europeu”. Barbosa prevê ainda que, seja qual for o resultado da eleição na Argentina, o Brasil não se afastará do vizinho, ao contrário do que parece que o faria por conta dos insultos trocados recentemente entre o presidente Jair Bolsonaro e o vencedor das eleições prévias de 11 de agosto, o peronista Alberto Fernández, “por determinismo geográfico”. O diplomata adverte ao governo brasileiro que o meio ambiente é um tema que entrou na pauta internacional para ficar. http://neumanne.com/nov…/neumanne-entrevista-rubens-barbosa/ (mais…)

SEMINÁRIO: A IMPORTÂNCIA DAS HIDROVIAS NO BRASIL

Por uma política para as Hidrovias

O IRICE e o Instituto de Engenharia convidam para um seminário sobre o desenvolvimento das hidrovias brasileiras, no próximo dia 27 de agosto. O seminário contará com a participação de representantes do Governo Federal  e do ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, dentre outros representantes do governo e do setor privado.

O modal hidroviário tem grande potencial para se transformar em vetor de desenvolvimento nacional e de integração regional, integrando e se integrando a todos os demais modais de transporte – a partir de seus 44.000 km potencialmente navegáveis apenas em território nacional. A hidrovia é o modal mais barato e eficiente para grandes cargas a longas distâncias – além de ser aquele que gera o menor impacto do ponto de vista ambiental.

O modal hidroviário apresenta grandes oportunidades como indutor e condutor da eficiência logística, contribuindo para promover a modernização das diversas regiões do Brasil – e por isso o seu fomento demanda um olhar estratégico por parte do poder público.
 
Além das vantagens em toda a cadeia logística, um mundo de novas oportunidades se abre ao modal hidroviário quando se olha o potencial de integração fluvial na América do Sul, e sua maior relevância competitiva e estratégica diante da recente assinatura do acordo comercial do Mercosul com a União Europeia. 

Uma efetiva política de incentivo à hidrovia no Brasil poderá destravar grandes oportunidades para a integração fluvial da América do Sul, a partir da interligação da Hidrovia Tietê-Paraná, Rio da Prata com o eixo de acesso ao Pacífico – via Argentina e Chile – uma via navegável e de baixo custo sobre mais de 6.000 km de integração hidroviária
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Para a programação e inscrição (gratuita), acesse aqui: https://www.institutodeengenharia.org.br/site/events/a-importancia-das-hidrovias-no-brasil/

27 de agosto
Local: Instituto de Engenharia – Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 – Vila Mariana – São Paulo 
Inscrições: divtec@iengenharia.org.br

O BRASIL E O ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO COM OS EUA

Por Rubens Barbosa*

Um acordo comercial do Brasil com os EUA, a única superpotência global, será sempre muito importante para a economia de nosso país. A visita do secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, reavivou o assunto e o colocou na agenda da relação com Washington.

Declarações oficiais de alto nível de ambos os lados reforçaram a percepção de que um acordo dessa importância será possível a curto prazo. Presidente Trump disse: “vamos trabalhar para um acordo comercial com o Brasil”. O ministro da economia, Paulo Guedes, declarou que as negociações entre os dois países para um acordo comercial já começaram. E Marcos Troyjo, secretário de comércio exterior, afirmou que o objetivo é trabalhar por um acordo mais amplo, incluindo produtos e tarifas. O secretário de comércio americano falou que, (mais…)

SER EMBAIXADOR EM WASHINGTON

Por Rubens Barbosa* 

O Dissenso de Washington, livro onde descrevo como exerci a função de embaixador nos EUA por quase 5 anos e as atividades da embaixada, foi  publicado em 2011. Por sua atualidade, transcrevo trechos do capítulo “Ser Embaixador Junto ao Governo Americano”, lembrando que, por mais que as relações entre os governos sejam excelentes, o embaixador tem de ficar atento para defender os interesses do pais, pois os Estados Unidos hão de defender, com vigor, os seus próprios. A defesa é feita acima de partidos e ideologias, com prudência e comedimento, sobretudo nos pronunciamentos públicos.

Ser embaixador em Washington, o posto mais importante no exterior para profissionais de qualquer país do mundo, é o sonho de todo diplomata, mas poucos alcançam esse objetivo. Até ser indicado, por mais de 30 anos, ocupei cargos de (mais…)

PANORAMA BRASIL-RUSSIA – Boletim Mensal – Julho 2019

Boletim no. 06 – Julho 2019

Boletim mensal de notícias editado pela Embaixada do Brasil em Moscou, destina-se a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.  Confira as matérias nesta edição: http://mailchi.mp/5dec019a8ecb/panorama-brasil-rssia-julho-2019?e=d8f28b739e

ASSOCIAÇÃO MERCOSUL E UNIÃO EUROPEIA

Por Rubens Barbosa*

Em 28 de junho, o Mercosul e a União Europeia (UE) concluíram a negociação de um ambicioso acordo de Associação, que inclui três vertentes: a política, a de cooperação e a do livre comércio.

Aguarda-se a divulgação dos termos desse Acordo de Associação que estabelece a maneira como se desenvolverá o diálogo político, inclusive multilateral, e a cooperação para conhecer seu alcance e como os interesses nacionais foram tratados.

O acordo de livre comércio – parte integral desse acordo mais amplo –  pretende consolidar, em dez anos, uma parceria econômica e criar oportunidades para o crescimento sustentável nos dois lados, respeitando setores econômicos sensíveis, o meio ambiente e preservando os interesses dos consumidores. O acordo é composto por (mais…)

COMO MELHORAR O AMBIENTE DE NEGÓCIOS

Por Rubens Barbosa*

Sabemos todos que no Brasil são prioridades imediatas e urgentes a volta do crescimento e a queda do desemprego. Os dados do primeiro trimestre, porém, não são encorajadores do ponto de vista do setor privado.

O retorno da confiança no governo e o melhor desempenho da economia passam pela aprovação no Congresso de reformas estruturais, em especial a da previdência social, que ajudará a estancar a sangria do déficit público, e pela reforma tributária, que reduzirá o custo Brasil para o setor produtivo. Caso sejam aprovadas, o Ministério da Economia poderá liberar medidas para a abertura da economia, para a desburocratização e para a negociação de acordos comerciais com terceiros países para fazer crescer o comércio exterior e incentivar a retomada dos investimentos públicos e privados.

Nesse contexto, não se pode ignorar também um fator psicológico, muito relevante quando se examina a questão do investimento: o ambiente de negócios. Nesse sentido, a credibilidade dos contratos e a segurança jurídica das regras para a correta implementação das transações comerciais e financeiras são elementos que aqui ainda (mais…)

GUERRA CIBERNÉTICA

Rubens Barbosa*

No século XXI, a tecnologia está definindo novas formas de emprego bélico nas guerras tradicionais. A inteligência artificial está abrindo espaço para armas e sistemas autônomos letais, robôs autônomos letais, ou ainda, robôs assassinos. Definidas como qualquer sistema de arma com autonomia em suas funções, essas armas podem selecionar (isto é, procurar ou detectar, identificar, rastrear, selecionar) e atacar (isto é, usar força bruta contra, causar dano ou destruir) alvos, sem intervenção humana.

Em paralelo a esses desenvolvimentos tecnológicos – que terão impacto na guerra como entendida até aqui – a cibernética está inovando nas técnicas de enfrentamento sem o uso da força convencional As ameaças globais nos dias de hoje estão se transformando rapidamente: operações on line para influência e interferência em eleições, armas de destruição em massa e sua proliferação, terrorismo, contra-inteligência,  e tecnologias destrutivas, ameaças à competitividade econômica, espaço e armamento no espaço, crime transnacional (armas e drogas), entre outras.

Na definição do teórico Clausewitz, “guerra é um ato de violência destinado a forçar o adversário a executar nossa vontade”. A violência tem como objetivo controlar. O chinês Sun Tzu acrescenta que “a maior proeza militar é (mais…)