EM QUESTÃO: MERCOSUL

Rubens Barbosa*

A discussão sobre o futuro do Mercosul tornou-se urgente. Não se trata de um debate no vácuo ou teórico. Há uma situação real que tem de ser examinada à luz dos interesses concretos do governo e do setor privado.

Essa discussão tem necessariamente de levar em conta as recentes modificações políticas e econômicas resultantes das últimas eleições no Brasil, com tendência liberal na economia e a vitória da centro-esquerda na Argentina. O fim do isolamento do Mercosul, com a conclusão das negociações com a União Europeia (UE) e a EFTA, e mais as consequências de eventual redução da Tarifa Externa Comum (TEC), a ampliação da rede de acordos comerciais (inclusive um improvável acordo com os EUA) e a repercussão da crise ambiental na Amazônia sobre a ratificação do acordo com a UE e EFTA não podem ser descartados. Deve-se também ter presente as transformações globais que apontam para uma mudança do eixo econômico para a Ásia e a guerra comercial entre os EUA e a China.

Nas últimas reuniões presidenciais do Mercosul, na Argentina, e na semana passada no Brasil, os governos tomaram a decisão de adotar medidas para fazer do Mercosul novamente um instrumento de abertura comercial, conforme previsto no Tratado de Assunção. As principais decisões tomadas pelos presidentes reforçaram o Mercosul e focalizaram as regras econômicas, o enxugamento das instituições e a facilitação do comércio. O Brasil apresentou (mais…)

O BRASIL E O MERCADO ESPACIAL GLOBAL

Rubens Barbosa*

A ratificação pelo Congresso Nacional do Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST) com os EUA torna possível o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Com isso, ficam viabilizadas significativas perspectivas comerciais para o Brasil entrar em um mercado anual de mais de US$ 12 bilhões, em especial no de satélites de pequeno porte.

O interesse brasileiro é de tornar possível um centro de lançamento competitivo, o que permitirá a entrada do Brasil no nicho de mercado de satélites de telecomunicações e de meteorologia.

Com a entrada em vigor do acordo, o grande desafio agora será tornar o Centro operativo para lançamento de satélites no prazo mais curto possível. Para tanto, serão necessárias medidas de caráter politico  para abrir ao Brasil as portas do importante mercado global espacial. A partir de agora, espera-se que o governo federal acelere e (mais…)

MAIS INSTABILIDADE NA FRONTEIRA DO BRASIL

Por Rubens Barbosa*

O golpe não é contra Evo Morales, mas dele próprio  – Opinião – Folha de São Paulo – 12/11/2019

O movimento popular contra o resultado das eleições na Bolívia pode ser comparado a manifestações de frustração que estão ocorrendo em outros países, como Líbano, Iraque e Chile, por conta da insatisfação com a política, com a economia e com os problemas sociais. São ações organizadas por jovens, sem liderança política ou partidária. Cada país tem as suas especificidades. Para ler a íntegra da matéria:https://folha.com/o4law752

*Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior

O DESAPARECIMENTO DO CENTRO

Por Rubens Barbosa*

Com o desaparecimento do voto moderado de centro, a votação do referendum que aprovou a saída do país da União Europeia mudou radicalmente o cenário político no Reino Unido. A busca desse voto sempre teve muita influência nas eleições britânicas. As eleições deixaram de ser uma disputa entre a esquerda (trabalhista) e a direita (partido conservador) acima das diferenças ideológicas econômicas e sociais. Quando as eleições são disputadas tendo como foco questões econômicas entre esquerda e direita, os partidos políticos podem escolher um ponto ao meio, mais moderado, e conquistar votos decisivos. Em contraposição, quando se trata de política de identidade ou questões que envolvam grandes reformas não há possibilidade de negociação. É mais fácil haver compromisso em questões econômicas, como impostos e salários, e muito mais difícil quando se trata de noções como soberania e papel do Estado.

Com a discussão sobre o BREXIT como tópico principal da eleição britânica de 12 de dezembro, o voto de centro terá pouca influência pela polarização entre os que querem sair e os que querem permanecer na UE. Desapareceu o senso comum de que o partido que pudesse focalizar as preocupações do eleitor de centro poderia ganhar, enquanto que os partidos que buscassem os extremos seriam derrotados.

As posições moderadas de centro também estão desaparecendo em muitos países tendo como pano de fundo a insatisfação da população com a crescente concentração de renda, a pobreza e a falta de oportunidades de emprego. Essa frustração se materializa em manifestações e confrontações em países como Líbano, Iraque, Hong Kong, França e, na América do Sul, no (mais…)

SEMINÁRIO: DIPLOMACIA AMBIENTAL: Meio Ambiente e Comércio Exterior

O Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE) e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), com apoio do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), realizarão dia 03 de dezembro o terceiro encontro sobre Diplomacia Ambiental. Com foco no Acordo Mercosul-União Europeia, contaremos com palestrantes do setor acadêmico, consultores em sustentabilidade, e do setor privado, e serão abordadas questões relativas ao capítulo de desenvolvimento sustentável do Acordo de Associação Mercosul-União Europeia.  O encontro acontecerá no Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) – no período das 08:30 às 13:00 hs.