INTERESSE NACIONAL DISCUTE A RECUPERAÇÃO NACIONAL

A REVISTA INTERESSE NACIONAL iniciará, a partir da semana próxima, uma série de diálogos ao vivo para tratar da recuperação do Brasil depois da crise pandêmica.
Vamos promover conversas sobre os desafios internos e externos que o Brasil terá pela frente para se ajustar ao novo ambiente doméstico e internacional. Serão diálogos com técnicos e formuladores de políticas públicas que possam dar sua contribuição para um pensamento estratégico de médio e longo prazo.
Esperamos com essas transmissões contribuir para que possamos começar a pensar em saídas para o Brasil que estejam acima de partidos e de ideologias.
Em breve será divulgada a programação completa, que poderá ser acompanhada também pelo Youtube
Conto com a sua audiência e participação.
Rubens Barbosa, Presidente

BRASIL DEPOIS DA COVID 19

Rubens Barbosa*

Como é natural, a quase totalidade das análises e comentários na imprensa falada, escrita, nas TVs e na mídia social se concentra hoje nos grandes desafios internos para superar a crise provocada pelo coronavirus.

Depois de a pandemia passar, o Brasil e o mundo serão outros.

Do ângulo interno, os desafios econômico-financeiros, sociais, de logística, de modernização do Estado, do fim dos privilégios, da violência e da corrupção vão ter de ser enfrentados como nunca antes. O Brasil deverá ser reconstruído. O orçamento de guerra determinou despesas indispensáveis para atender aos trabalhadores formais e informais e as empresas afetadas pela quase paralisia da economia doméstica e global. Como tratar o déficit publico e fiscal? Como sair da recessão? Como gerar crescimento e reduzir as desigualdades e o desemprego? Como ficará o equilíbrio federativo? A sociedade brasileira vai ter de enfrentar um período de decisões profundas sobre as prioridades nacionais, as contas públicas, o funcionamento do Estado, a reativação da economia, a reindustrialização, enfim, essas e outras vulnerabilidades que, diante da crise, ficaram evidentes.

As incertezas são crescentes. Segundo os ministros de comércio exterior do G-20, a economia global em 2020 poderá reduzir-se em 5 ou 6% e o comércio externo, entre 5 e 30%. Como evoluirá a economia e o comércio internacional? Como as (mais…)

A EVOLUÇÃO RECENTE DE ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA

Podcast Colunistas Rádio USP  –  07 04 2020

Nesta edição, o Embaixador Rubens Barbosa analisa os fatos que pressionam o governo da Venezuela para a abertura de processo democrático. Há vários fatos que indicam esse processo, segundo Barbosa: o indiciamento pelos EUA do presidente Maduro e de toda a cúpula pelo transporte de narcotráfico para os Estados Unidos; queda significativa dos preços do petróleo no mercado internacional por conta da briga entre Arábia Saudita e Rússia; o agravamento da situação social e de saúde pelo coronavírus; e a saída de uma das maiores empresas petrolíferas da Venezuela.

O presidente Trump apresentou um plano de transição para a democracia que passa por alguns pontos: suspensão de todas as sanções econômicas, caso Maduro resolva abandonar o poder; a partir disso, seria criado um governo de transição, em que Maduro e Guaidó seriam afastados dessa sucessão; a Assembleia Nacional seria eleita e, por sua vez, elegeria um governo de transição, entre outras propostas. Esse plano, ressalta Barbosa, mostra que o governo americano abrandou a sua posição e aceita uma partilha de poder com membros contra o governo. “Embora ainda não se vislumbre saída próxima, essas iniciativas poderão ter um peso no processo interno, sobretudo pela epidemia e o preço do petróleo, que estão pressionando o governo de Maduro”, afirma.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Diplomacia e Interesse Nacional.

O IMPACTO GEOPOLÍTICO DO CORONAVÍRUS

Rubens Barbosa*

A epidemia do coronavírus – a pior dos últimos cem anos – terá profundas consequências sobre um mundo globalizado, sem lideranças alinhadas e pouco solidários entre si. O impacto econômico e social vai ser profundo, com o  custo recaindo nos mais pobres, fracos e idosos e em países menos preparados e desenvolvidos.

Os efeitos sobre os países e sobre a economia global estão sendo sentidos e deverão se agravar antes de melhorar.

Como a geopolítica global poderá ficar afetada pela epidemia? O que poderá mudar no cenário global?

Duas observações iniciais. A crise atual mostrou que as fronteiras nacionais desapareceram com as facilidades do transporte aéreo e o imediatismo das comunicações. E que as políticas econômicas domésticas estão intimamente influenciadas pelo que ocorre no resto do mundo. Nenhum pais ou continente é uma ilha. Por outro lado, a extensão e a repercussão da crise, em larga medida, deriva do peso da China na economia global. No inicio da década, quando ocorreu a SARS, o pais representava 4% da economia global, hoje representa 17%. A China é a segunda economia mundial, o maior importador e (mais…)

CORONAVÍRUS E A FÓRMULA DE iPAT

Por Renato Whitaker *

No final de fevereiro desse ano, houve uma notícia curiosa: uma das consequências da disseminação do novo coronavírus (COVID-19) na China foi registrada pela agência espacial americana NASA, que detectou que a famosa poluição aérea sobre grandes partes do país (mais especificamente, índice detectáveis de dióxido de nitrogénio) despencaram precipitosamente[1]. Embora poderia haver outras explicações, como o advento do ano novo chinês no qual atividades econômicas diminuem, recentes reportagens de emissoras como Deutsche Welle, CNN[2] e Forbes[3] aumentam a credibilidade ao argumento que o refreio da economia chinesa (e da queima de carvão que abastece-a) causou não somente uma melhora na qualidade do ar chinês, mas também talvez salvará mais vidas humanas do que as baixas causadas por COVID-19[4].

Ecologistas, e outros que atuam na área ambiental, conceptualizam os danos ou efeitos nocivos que a atividade humana tem sobre o meio ambiente com a fórmula “iPAT” (ou i=PAT), onde “i” (o impacto humano) é igual a “P” (o tamanho da população) vezes “A” (a afluência ou os padrões de consumo médio de cada pessoa) vezes “T” (a eficiência tecnológica dos fatores de produção que criam a riqueza). Em suma, cada pessoa a mais é um consumidor que gera externalidades poluentes. Essa poluição (seja na produção dejetos, emissão de gases de efeito estufa ou expansão do desmatamento) aumenta conquanto o padrão de consumo médio da população cresce.

O fator “T” é o curinga da equação. Inovações tecnológicas podem diminuir a necessidade de insumos na produção de (mais…)