PANORAMA BRASIL-RUSSIA – Boletim Mensal – Julho 2019

Boletim no. 06 – Julho 2019

Boletim mensal de notícias editado pela Embaixada do Brasil em Moscou, destina-se a divulgar as principais atividades da Embaixada do Brasil em Moscou e a veicular informações sobre as distintas vertentes das relações entre o Brasil e a Rússia.  Confira as matérias nesta edição: http://mailchi.mp/5dec019a8ecb/panorama-brasil-rssia-julho-2019?e=d8f28b739e

ASSOCIAÇÃO MERCOSUL E UNIÃO EUROPEIA

Por Rubens Barbosa*

Em 28 de junho, o Mercosul e a União Europeia (UE) concluíram a negociação de um ambicioso acordo de Associação, que inclui três vertentes: a política, a de cooperação e a do livre comércio.

Aguarda-se a divulgação dos termos desse Acordo de Associação que estabelece a maneira como se desenvolverá o diálogo político, inclusive multilateral, e a cooperação para conhecer seu alcance e como os interesses nacionais foram tratados.

O acordo de livre comércio – parte integral desse acordo mais amplo –  pretende consolidar, em dez anos, uma parceria econômica e criar oportunidades para o crescimento sustentável nos dois lados, respeitando setores econômicos sensíveis, o meio ambiente e preservando os interesses dos consumidores. O acordo é composto por (mais…)

COMO MELHORAR O AMBIENTE DE NEGÓCIOS

Por Rubens Barbosa*

Sabemos todos que no Brasil são prioridades imediatas e urgentes a volta do crescimento e a queda do desemprego. Os dados do primeiro trimestre, porém, não são encorajadores do ponto de vista do setor privado.

O retorno da confiança no governo e o melhor desempenho da economia passam pela aprovação no Congresso de reformas estruturais, em especial a da previdência social, que ajudará a estancar a sangria do déficit público, e pela reforma tributária, que reduzirá o custo Brasil para o setor produtivo. Caso sejam aprovadas, o Ministério da Economia poderá liberar medidas para a abertura da economia, para a desburocratização e para a negociação de acordos comerciais com terceiros países para fazer crescer o comércio exterior e incentivar a retomada dos investimentos públicos e privados.

Nesse contexto, não se pode ignorar também um fator psicológico, muito relevante quando se examina a questão do investimento: o ambiente de negócios. Nesse sentido, a credibilidade dos contratos e a segurança jurídica das regras para a correta implementação das transações comerciais e financeiras são elementos que aqui ainda (mais…)

IMPACTO E LIÇÕES DA EPIDEMIA DE PESTE SUINA NA CHINA

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 11/05/2019

Marcos S. Jank (*)   e  Rodrigo C. A. Lima (**)

No longo prazo, o Brasil tende a ganhar, mas é preciso mais estratégia e coordenação.

A China, país que produz e consome mais da metade da carne suína mundial, vem sendo devastada por uma grave epidemia de peste suína africana. A situação é calamitosa:

  • Estima-se perda de 134 milhões de cabeças —sobre um total de 684 milhões—, gerando uma queda da ordem de 20% na produção de carne suína, que pode chegar a 35% se o pior cenário desenhado pelo Rabobank se concretizar. O problema se agrava com o grande trânsito de animais dentro da China e com o Sudeste Asiático, além do fato de um quinto da produção doméstica vir da pequena produção de “fundo de quintal”, com alta exposição ao vírus e controle sanitário precário.
  • Para o Brasil, o principal impacto negativo da peste suína se dará sobre as exportações de soja, produto que lidera a pauta exportadora brasileira e componente essencial da ração de suínos e aves em propriedades tecnificadas. Estima-se uma queda de 5 milhões a 10 milhões de toneladas no nosso volume previsto de exportações para a China em 2019/20 (cerca de 10% da previsão inicial), um cenário que pode se agravar no ano que vem, ainda que terceiros países (Europa, principalmente) terão de comprar mais do Brasil para poder ampliar as suas exportações de carnes para a China.
  • Vencida a crise, no longo prazo teremos ganhos importantes com a inevitável mudança do modelo de produção de carnes da China: maior controle sanitário, escala e profissionalização dos produtores com melhoria da genética, manejo e nutrição dos animais, o que favorecerá um maior consumo de farelo de soja.
  • Há também a possibilidade de a China se abrir mais para a importação de carnes, que hoje respondem por menos de 5% do seu consumo. Mas esse segmento não crescerá de forma automática, como alguns querem crer. Ocorre que, ao contrário de commodities agrícolas como soja, algodão e celulose —para as quais o mercado encontra-se totalmente aberto para Brasil—, nas proteínas animais o acesso se dá por meio de um processo moroso e pouco transparente de habilitação de plantas industriais, caso a caso. Apenas 62 unidades brasileiras estão hoje autorizadas a exportar para a China, um número extremamente reduzido, sendo que só três estão autorizadas a exportar carne suína. No curto prazo, quem realmente ganhará mercado são frango e carne bovina, substitutos do suíno.
  • Atualmente, a China consome 84 kg de carnes por habitante/ano. A atual exportação de carnes do Brasil para China e Hong Kong equivale ao volume de 1 kg per capita/ano na China (1,4 milhão de toneladas). Ou seja, com só mais 1 kg/hab/ano, já estaríamos dobrando a exportação.
  • Uma última questão relevante é status sanitário brasileiro. Até aqui o Brasil escapou ileso das duas principais epidemias do mundo atual: gripe aviária e peste suína. Além da necessidade de reforçar todos os controles de defesa sanitária do país, o Brasil deveria pleitear a ampla aceitação de dois instrumentos fundamentais para garantir o acesso aos mercados, mesmo que parcial.
  • O primeiro é a “regionalização sanitária”, que comporta, por exemplo, o nosso status de área livre de febre aftosa com vacinação. O segundo é a “compartimentalização sanitária”, que é o reconhecimento de sistemas integrados livres de doenças graças à adoção de práticas mais elevadas de biossegurança e rastreabilidade. O Brasil já possui “compartimentos” em que o controle da gripe aviária é extremamente elevado, que hoje servem de exemplo para o mundo.

Todos os pontos aqui apresentados estão ligados a “lições de casa” que precisam ser feitas neste momento: visão estratégica, melhor coordenação do setor privado, medidas suplementares de defesa sanitária e negociação qualificada com nossos parceiros no exterior.

(*) Marcos Sawaya Jank é especialista em questões globais do agronegócio. Escreve aos sábados, a cada duas semanas.

(**) Rodrigo C. A. Lima, sócio-diretor da Agroicone e especialista em temas sanitários (rodrigo@agroicone.com.br).

MERCOSUL, 28 ANOS DEPOIS

Por Rubens Barbosa*

O Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai (a Venezuela está suspensa), completou 28 anos no último dia 26 de março. Segundo o Tratado de Assunção, o grupo comercial tem como objetivo a abertura de mercados e a liberalização comercial. Como uma união aduaneira, os países deveriam ter um intercâmbio livre de restrições e barreiras entre si e uma tarifa externa comum em relação a outros parceiros.

Nas quase três décadas de existência, o processo de integração dos países do cone sul alternou períodos de forte expansão e estagnação, tanto do ponto de vista econômico, quanto institucional, acompanhando, na maioria dos casos, as oscilações no comportamento da economia do Brasil e da Argentina. Em geral, do ponto de vista do setor privado, o exercício foi (mais…)

A EPIDEMIA CHINESA DE PESTE SUÍNA E O BRASIL

Por Marcos S. Jank  (*)

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, Edição de 13/04/2019

Essa terrível crise vai gerar oportunidades de comércio e cooperação para o Brasil.

Família e fortuna são valores fundamentais da cultura chinesa. Na história milenar do país, um dos símbolos desses valores é o porco. O ideograma chinês para a palavra “lar” é um suíno embaixo de um teto, simbolizando que família, prosperidade e suínos vivem juntos, simbioticamente.

Estamos no ano zodiacal do porco na China. O país responde por metade da produção mundial de carne suína, ao consumir incríveis 54 milhões de toneladas.

Porém, desde agosto a China enfrenta uma terrível epidemia de peste suína africana, que já dizimou 17% do seu plantel de quase 700 milhões de cabeças, chegando a 20% no abate de matrizes. A epidemia avança no (mais…)