RADAR GENEBRA – Boletim Semanal

73a. Edição – 23 a 27 de julho de 2018

Publicação semanal elaborada pela Turma do Programa de Formação Complementar e Pesquisa em Comércio Internacional mantido pela Delegação do Brasil junto à OMC.  O documento visa traçar um panorama não exaustivo dos principais acontecimentos nos temas de acompanhamento deste posto diplomático, destacando notícias relevantes, publicações recentes e eventos de interesse que ocorrerão em Genebra e outras localidades.

A atual turma encerrou suas atividades hoje, e o boletim  Radar Genebra voltará a ser publicado semanalmente a partir de 28 de setembro.

Maiores informações sobre o Programa, assim como as edições anteriores do Radar Genebra, estão disponíveis no próprio site da Missão, nos links: http://delbrasomc.itamaraty.gov.br/pt-br/programa_de_formacao_complementar.xml

https://drive.google.com/open?id=1dbJ8GyfCduI0E4G-IdCBQgPu_R9x4d4-

 

GUERRA COMERCIAL E REFORMA DA OMC

Por Rubens Barbosa*

A instabilidade no comércio internacional tem aumentado de forma significativa nos últimos meses. Noticias recentes mostram que o governo norte-americano voltou a indicar que prosseguirá com a aplicação de medidas contra a China com base na Lei de Segurança Nacional. O governo chinês mostrou-se surpreso com essas declarações, que vão em sentido contrário ao aparente consenso já alcançado entre as partes. Na mesma linha de endurecimento da atitude norte-americana, no dia 31 de maio, o secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, confirmou a aplicação de sobretaxas de 25% e 10% sobre o aço e o alumínio originários do Canadá, do México e da União Europeia. Ross já havia manifestado insatisfação com a exigência de Bruxelas em iniciar negociações apenas após garantia de que o bloco estaria isento das sobretaxas de forma permanente. No caso de Canadá e México, o secretário afirmou que a renegociação do NAFTA ainda levaria tempo, o que justifica a aplicação imediata das medidas. Logo após a notícia da entrada em vigor das sobretaxas norte-americanas, o presidente da Comissão Europeia, Jean Claude Junker afirmou que “não resta outra alternativa ao Bloco senão iniciar uma disputa na Organização Mundial de Comércio (OMC) e impor tarifas adicionais a uma série de produtos originários dos EUA”. Na reunião do G-7, (mais…)

EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS: DÉCADA PERDIDA

Por Rubens Barbosa*

De acordo com recente trabalho do Instituto de Pesquisa de Economia Aplicada (IPEA), coordenado por Fernando Ribeiro, nos últimos anos houve uma significativa perda da posição relativa dos produtos industrializados nas exportações brasileiras.

Em 2017, o volume exportado desses bens ficou 0,7% abaixo do quantum de 2008. A porcentagem das vendas totais leva em conta o valor exportado. Em 2000, a participação dos industrializados era de 74,5% no total das exportações nacionais e de 51,3% em 2017. Nesse mesmo período, a exportação de produtos primários aumentou acima de 60%, passando de 22,8% em 2000 para 46,4% em 2012. Como consequência, não é de surpreender que a participação dos industrializados brasileiros no mercado global, reduziu-se para 0,75 % em 2016. A queda é ainda mais acentuada quando se desconta o efeito dos preços relativos, ou seja, a relação entre os preços das exportações brasileiras e as cotações das exportações mundiais.

Esses dados são coerentes com a tendência de queda acentuada da participação da (mais…)

PRESIDÊNCIA BRASILEIRA DO MERCOSUL

Por Rubens Barbosa

A 51ª edição da Cúpula dos Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados foi realizada em Brasília na semana passada.

O MERCOSUL equivale hoje à quinta economia do mundo, com PIB de US$ 2,7 trilhões. Mais de 10% das exportações brasileiras têm como destino os demais sócios do bloco e 84% dessas exportações são produtos manufaturados. As trocas comerciais no MERCOSUL (US$ 38 bilhões – 2016) são hoje 8,5 vezes maiores do que as registradas no ano da fundação do bloco (US$ 4,5 bilhões – 1991).

A Cúpula de Chefes de Estado encerra a Presidência Pro Tempore exercida pelo Brasil durante o segundo semestre de 2017. Em vista dos resultados alcançados, pode-se dizer que a reunião presidencial foi uma das mais eficazes e produtivas dos últimos anos. Nesse período, foram realizadas cerca de 300 reuniões dos órgãos decisórios e especializados do MERCOSUL, tratando de temas como comércio, regulamentos técnicos, contratações públicas, grupo de monitoramento macroeconômico, direitos humanos, justiça, desenvolvimento social, saúde e educação. Com esse esforço, atualizou-se a agenda de trabalho do bloco, que voltou a tratar de assuntos relevantes para o intercâmbio comercial e questões novas e urgentes. (mais…)

O BRASIL PRECISA SE REINDUSTRIALIZAR

Por Rubens Barbosa

O Brasil precisa se reindustrializar, diz embaixador Rubens Barbosa em audiência pública da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

O Brasil deve restabelecer o dinamismo de sua política externa e ajustar suas posições à nova realidade global, avaliou nesta segunda-feira (2) o diretor-presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice), embaixador Rubens Barbosa. Ele participou do painel interativo “Lugar do Brasil em um mundo de transformações”. O evento integra o ciclo de debates “O Brasil e a Ordem Internacional: Estender Pontes ou Erguer Barreiras?”, promovido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE).

Para Rubens Barbosa, o país ficou isolado nas negociações comerciais nos últimos anos, enquanto a globalização ainda avança, com o fortalecimento do regionalismo e do conhecimento da inovação.

Nos próximos 20 anos, vai-se jogar o futuro do Brasil dentro das correlações de força que estão se mostrando no cenário internacional. Temos que nos preparar para essas novas realidades, não podemos continuar isolados e afastados dos que está acontecendo no mundo. Temos que primeiro resolver o ajuste econômico, adotar políticas muito claras na questão cambial e na taxa de juros, com inovação. Caso contrário, o país não terá poder industrial importante na área de ponta. A reindustrialização do Brasil será feita na área de produtos que serão criados daqui para a frente — afirmou.

Barbosa disse ainda que o Brasil precisa definir sua estratégia de integração regional e seu papel em instituições como o Mercosul e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul), além de ampliar seus contatos na América Latina, sobretudo com o México, e avaliar sua atuação junto aos Brics (Rússia, Índia, China e África do Sul). (mais…)

PERDEDORES DA ABERTURA

Rogério de Souza Farias[1]

Como o governo brasileiro deve preparar-se para alcançar sucesso na próxima abertura comercial.

Para os analistas da política comercial atentos à Esplanada do Ministério, os últimos anos apresentaram-se como uma mistura de compasso de espera e expectativas frustradas. Após anos de paralisia da Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio, o Brasil estava sem rumo.

Mesmo antes do impeachment da presidente Dilma Rousseff, contudo, ensaiavam-se conversas com potenciais parceiros, algumas reativando diálogos que se arrastavam por mais de duas décadas. Com a emergência da nova administração, tal tendência tomou fôlego. Pode-se identificar, em muitas repartições, novo ânimo e a tensão que precede grandes desafios.

O tema desse artigo não são as negociações em si, tampouco o estudo de seus potenciais efeitos. O foco recairá, aqui, sobre aspecto pouco examinado da política de inserção internacional do Brasil no mundo globalizado: como lidar com os perdedores desse processo.

A Iniciativa sobre Mercados Globais (IGM), um centro da Universidade de Chicago, conduz recorrentes pesquisas sobre a opinião da liderança acadêmica na disciplina de economia sobre os tópicos mais diversos. Em março de 2012, a instituição liberou sua pesquisa sobre o tema do livre comércio. 96% dos respondentes concordaram com a tese de que ele melhora a eficiência produtiva e oferece aos consumidores melhores escolhas, sendo que, no longo prazo, esses ganhos são maiores que quaisquer efeitos sobre o emprego. Nenhuma tese na disciplina consegue consenso tão amplo. (mais…)