A AMAZÔNIA EM TEMPOS DE GLOBALIZAÇÃO

Rubens Barbosa*

Destravando a agenda da bioeconomia na Amazônia foi tema do encontro ‘’live’’ organizado pelo Instituto Escolhas e o Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (IRICE), na semana passada. Tivemos a oportunidade de tratar da questão da bioeonomia e da proteção da Floresta Amazônica como fator de projeção do Brasil no cenário internacional. Questões mais que nunca atuais e relevantes em vista da percepção externa do país extremamente negativa.

É indubitável que o meio ambiente entrou definitivamente na agenda global e um dos focos principais é a preservação da Floresta Amazônica. As imagens relacionadas com o desmatamento, queimadas e garimpo ilegal na Amazônia em 2019 ganharam repercussão mundial. A retórica e algumas medidas e políticas governamentais contribuíram para a escalada da opinião pública internacional contra o Brasil, agravada agora pela maneira como é vista a condução das políticas em relação à pandemia e a confrontação política interna.

As preocupações com a preservação do meio ambiente e com a mudança do clima passaram a ter um impacto que vai além das sanções politicas, como no passado. Agora, com a entrada em cena da figura do consumidor e com a inclusão de (mais…)

INSTITUTO ESCOLHAS – Entrevista do Mes

Embaixador Rubens Barbosa:  Acordo entre Mercosul e UE fica mais complicado sem preservação da Amazônia

Para o diplomata, política ambiental precisa sofrer correções e o Brasil tem que assumir o protagonismo –  Eduardo Geraque – 7/05/2020

Os esforços atuais, como não poderia deixar de ser, deveriam estar todos voltados para o combate à pandemia causada pelo coronavírus. Mas, no segundo semestre, na avaliação do embaixador Rubens Barbosa, que representou o Brasil em Londres (1994 a 1999), e em Washington (1999 a 2004), a questão ambiental vai entrar com tudo na discussão internacional. Principalmente, dentro do provável processo de aprovação, por parte dos parlamentos tanto europeus quanto do Mercosul, do acordo que ainda deve ser assinado entre os dois blocos comerciais. Sem mudanças de rotas na política ambiental em curso na Amazônia, por exemplo, os parlamentares dos vários países europeus dificilmente vão ratificar o acordo conforme o embaixador Barbosa afirma nesta entrevista para o Instituto Escolhas.

O também presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e da Associação Brasileira da Indústria do Trigo (Abitrigo) analisa como o agronegócio brasileiro deve se comportar depois da crise atual e, principalmente, como ficará a polarização entre Estados Unidos e China neste novo cenário global. Segundo Barbosa, se as instituições multilaterais sobreviverem, elas devem ganhar uma nova roupagem.

No episódio #6 do podcast Escolhas no Ar, o embaixador Rubens Barbosa fala um pouco mais sobre o mundo que vai emergir pós-pandemia do coronavírus. Para ele, “a ONU terá que se reinventar e o debate ambiental vai emergir com toda a força”.  Clique aqui

Instituto Escolhas – O clima de polarização política que o Brasil está vivendo não atrapalha discussões mais profundas e sobre temas relevantes tanto internos quanto externos?

Embaixador Rubens Barbosa – A polarização no Brasil começou há uns 10 ou 15 anos, na base da ideia do nós contra eles, e continua com uma base ideológica muito forte. Entre os temas que nós vamos discutir, como a questão ambiental e o agronegócio, essa polarização vai continuar. Mas a minha expectativa é que nós temos algumas datas muito importantes pela frente que vão ter que receber um tratamento diferente por parte da sociedade brasileira. Uma delas, concretamente, é assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia que deve ocorrer, vamos dizer assim, em meados do ano. Depois dessa assinatura vai começar o processo de ratificação do acordo nos parlamentos europeus. Desde as eleições de outubro (mais…)

CORONAVÍRUS E A FÓRMULA DE iPAT

Por Renato Whitaker *

No final de fevereiro desse ano, houve uma notícia curiosa: uma das consequências da disseminação do novo coronavírus (COVID-19) na China foi registrada pela agência espacial americana NASA, que detectou que a famosa poluição aérea sobre grandes partes do país (mais especificamente, índice detectáveis de dióxido de nitrogénio) despencaram precipitosamente[1]. Embora poderia haver outras explicações, como o advento do ano novo chinês no qual atividades econômicas diminuem, recentes reportagens de emissoras como Deutsche Welle, CNN[2] e Forbes[3] aumentam a credibilidade ao argumento que o refreio da economia chinesa (e da queima de carvão que abastece-a) causou não somente uma melhora na qualidade do ar chinês, mas também talvez salvará mais vidas humanas do que as baixas causadas por COVID-19[4].

Ecologistas, e outros que atuam na área ambiental, conceptualizam os danos ou efeitos nocivos que a atividade humana tem sobre o meio ambiente com a fórmula “iPAT” (ou i=PAT), onde “i” (o impacto humano) é igual a “P” (o tamanho da população) vezes “A” (a afluência ou os padrões de consumo médio de cada pessoa) vezes “T” (a eficiência tecnológica dos fatores de produção que criam a riqueza). Em suma, cada pessoa a mais é um consumidor que gera externalidades poluentes. Essa poluição (seja na produção dejetos, emissão de gases de efeito estufa ou expansão do desmatamento) aumenta conquanto o padrão de consumo médio da população cresce.

O fator “T” é o curinga da equação. Inovações tecnológicas podem diminuir a necessidade de insumos na produção de (mais…)

BIO-ECONOMIA E A ZONA FRANCA DE MANAUS

Por Rubens Barbosa*

O tema do meio ambiente entrou definitivamente na agenda global. E mais cedo ou mais tarde voltará a ser uma prioridade para o governo brasileiro por realismo político e por razões pragmáticas.

Diante das atitudes do atual governo, são crescentes as ameaças de prejuízo para o setor do agronegócio pela possibilidade de boicote de consumidores e pela crescente influência da política ambiental sobre as negociações comerciais. A atuação na defesa dos legítimos interesses do setor, está levando as associações das diferentes áreas e a Frente parlamentar da Agropecuária, a defender mais atenção aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil nos acordos assinados desde 1992 e, sobretudo, uma atenuação da retorica governamental e uma correção de rumo de algumas políticas anunciadas pelo governo.

As percepções criticas no exterior tem como foco a Amazônia.  Recentemente, as queimadas e o desmatamento foram alvo de manifestações no mundo inteiro. Informações distorcidas e meias verdades se misturaram a fatos reais, ampliando as (mais…)

Seminário: DIPLOMACIA AMBIENTAL

DIPLOMACIA AMBIENTAL E O ACORDO MERCOSUL-UE

O IRICE e a Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG) realizam dia 5 de novembro próximo um segundo encontro sobre Diplomacia Ambiental, nesta oportunidade destacando o Acordo Mercosul-UE. Os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil em acordos, convenções e atos internacionais nas últimas décadas, desde a Rio 92, e sua implementação pelo governo brasileiro serão analisados e discutidos por especialistas. O tema ganha relevância na medida em que a política ambiental vem sendo usada como um instrumento da política comercial, refletida concretamente no Capítulo sobre Desenvolvimento Sustentável incluído no Acordo Mercosul-União Europeia. O evento acontece no auditório do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), na Rua Tabapuã, 469. Inscrições, gratuitas, através do e-mail: forum@abag.com.br.

DIPLOMACIA AMBIENTAL

Por Rubens  Barbosa*

O debate atual sobre as queimadas, o desmatamento e o garimpo ilegais ganhou repercussão internacional e transformou-se na mais grave crise externa brasileira desde os anos 70 e 80, causada também por críticas às politicas de meio ambiente e de direitos humanos.

No Brasil, vivíamos em um governo militar e um de seus dogmas era “Amazônia, integrar para não entregar”. A visão defensiva prevalecia em 1972, por ocasião da histórica Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, organizada pela ONU, em Estocolmo. A retórica do atual governo repete os argumentos dos militares de então. Na época, a sanção foi politica, com a deterioração da imagem do Brasil no exterior.

No último dia 29, sucedi ao naturalista e homem público Paulo Nogueira Neto na Academia Paulista de Letras. Em discurso de posse, recordei a atualidade da atuação de Nogueira Neto, responsável pela politica ambiental, pela legislação interna e pela criação de estruturas administrativas como a SEMA e Ibama, que desaguaram no atual Ministério de Meio Ambiente. No âmbito governamental, participou da referida Conferência de Estocolmo de Chefes de Estado. A atuação do Brasil é lembrada por (mais…)