AS ELEIÇÕES E A CRISE

A sociedade brasileira ainda não se deu conta da gravidade e da profundidade da crise em que o país se encontra e dos desafios que o novo governo deverá enfrentar.

As demandas internas são semelhantes àquelas que tiveram influência decisiva nas eleições americanas, na Argentina, na Colômbia e no México: descontentamento generalizado com a corrupção em todos os níveis, com a crescente violência, pobreza e desigualdade entre as pessoas e regiões. A percepção da injustiça (enquanto muitos trabalham, outros continuam a roubar),  da falência do Estado (que cresceu muito, aumenta impostos e oferece serviços ineficientes), da desordem pública (com a desobediência às leis), do custo e do tempo perdido com a burocracia crescente, entre outros fatores, gerou o clima que, como em outros países, fez com que os eleitores “ficassem contra tudo que está aí”. As preocupações se concentraram sobretudo na necessidade de estabilidade econômica, austeridade fiscal e governança da administração pública. A nossa carga tributária é uma das maiores do mundo, a economia permanece fechada e a desindustrialização afeta todos os setores. O país dividido entre o “nós e o eles”, a classe política, o Congresso e mesmo o Judiciário com baixo nível de aceitação pela opinião pública expuseram as flagrantes deficiências do governo.

Na recente campanha, os candidatos pouco focaram nesses temas, nem demonstraram liderança política clara que pensasse e atuasse com visão de futuro para indicar os caminhos do crescimento e do emprego. Alguns temas passaram longe das preocupações dos candidatos. Defesa, Política Externa, Comércio Exterior e (mais…)

CALOTE NO BNDES

Por Rubens Barbosa

A politica de generosidade que os governos lulo-petistas implantaram no Brasil de 2003 a 2016, regada a corrupção, beneficiou empresas nacionais amigas do governo do PT e financiadoras de muitos políticos. E, no exterior, governos autoritários de países ideologicamente afinados. A conta dessa farra com os recursos públicos, em grande parte advinda dos Fundo de Assistência ao Trabalhador, está sendo apresentada agora com os sucessivos calotes sofridos pelo BNDES, obrigando o Tesouro a ressarcir o banco e honrar as garantias oferecidas aos empréstimos.

Estranhamente, em 2012, o então ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio assinou decreto impondo sigilo até 2027 sobre os empréstimos do BNDES, por coincidência, logo após a entrada em vigência da lei de Acesso à Informação. Com renovadas suspeitas de corrupção cercando os empréstimos internos e externos do Banco, em 2015, o Congresso aprovou decreto legislativo que suspendeu o sigilo, vetado de imediato pela presidente Dilma Rousseff. Só em julho de 2015, um juiz federal, atendendo a pedido do Ministério Público, suspendeu o decreto de 2012.

Levantada a barreira legal, o (mais…)

VENEZUELA: CRISE E DIREITOS HUMANOS

Por Rubens Barbosa

As eleições na Venezuela, controladas pelo regime autoritário de Caracas, como previsível, reelegeram Nicolas Maduro como presidente de um pais cada vez mais isolado e mergulhado em terrível crise politica, econômica e social. Muitos dos principais lideres oposicionistas estão presos e a oposição boicotou a eleição. O governo estimulou o voto dos eleitores com recompensa financeira e acesso a programas de bem-estar social. A participação de observadores internacionais independentes foi negada. Um militar que apoiou Hugo Chaves, Henri Falcon, estava, até a véspera,  liderando com folga as pesquisas de opinião e contestou o resultado. Tudo indica que houve uma monumental fraude.

O crescente isolamento do governo bolivariano agrava a crise econômica, com a falta de alimentos e de medicamentos, com a  queda do crescimento (menos 15%) e com a espiral inflacionária (13.000%)  e com  (mais…)

O BRASIL NO MUNDO

O Estado de São Paulo – 01 Maio,  2018

O maior desafio que os eleitores deverão enfrentar em outubro é a escolha do modelo de país que queremos não para os próximos quatro anos, e sim para as próximas décadas.

As eleições deste ano terão especial importância porque as escolhas produzirão efeitos, para o bem ou para o mal, muito além do horizonte temporal dos mandatos do próximo ocupante do Palácio do Planalto e dos representantes no Congresso. Há que se ter máximo cuidado ao votar em meio à grande oferta de irresponsabilidades que, embora muito agradáveis aos ouvidos, apresentarão ao País uma conta impagável.

“Nessa eleição, estarão em jogo dois modelos: um para mudar a voz do Brasil no mundo, inserir o País nos mercados internacionais; ou um modelo de mercado fechado. O resultado disso é, de um lado, crescimento sustentável e, de outro, a Grécia”, advertiu o diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Irice) e ex-embaixador do Brasil nos Estados Unidos. (mais…)

RESULTADO DAS ELEIÇÕES VAI DEFINIR AS PRÓXIMAS DÉCADAS DO BRASIL

Por Gilberto Amendola, Marianna Holanda e Paulo Beraldo, O Estado de São Paulo

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior-IRICE afirma que para o País voltar a ter protagonismo no cenário internacional, a escolha do presidente será decisiva.

O diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, afirmou que as eleições presidenciais de 2018 vão definir o futuro do País não só nos próximos anos, mas nas próximas décadas. Segundo ele, para o Brasil voltar a ter protagonismo no cenário internacional, a escolha de um bom candidato será decisiva.

Segundo o diplomata Rubens Barbosa, há “uma visão otimista [para as eleições] desde que o resultado indique um caminho de visão de médio prazo, de abertura, de reformas estruturais, de inserção externa. (mais…)