RESULTADO DAS ELEIÇÕES VAI DEFINIR AS PRÓXIMAS DÉCADAS DO BRASIL

Por Gilberto Amendola, Marianna Holanda e Paulo Beraldo, O Estado de São Paulo

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior-IRICE afirma que para o País voltar a ter protagonismo no cenário internacional, a escolha do presidente será decisiva.

O diplomata Rubens Barbosa, presidente do Instituto de Relações Internacionais e Comércio Exterior, afirmou que as eleições presidenciais de 2018 vão definir o futuro do País não só nos próximos anos, mas nas próximas décadas. Segundo ele, para o Brasil voltar a ter protagonismo no cenário internacional, a escolha de um bom candidato será decisiva.

Segundo o diplomata Rubens Barbosa, há “uma visão otimista [para as eleições] desde que o resultado indique um caminho de visão de médio prazo, de abertura, de reformas estruturais, de inserção externa. (mais…)

O DESEQUILÍBRIO DE GÊNERO COMO AGRAVADOR SOCIAL NA CHINA

As opiniões exprimidas nesse artigo são próprias do autor, e não necessariamente refletem as de outros.

Por Renato Whitaker

A revista “The Economist” publicou um artigo em Março de 2018 que tentou explicitar os perigos existentes em uma sociedade polígama[1]. Observando países na África subsaariana e no Centro-Sul asiático – países permissíveis à prática – notou que comumente os dotes são pagos dos noivos ou sua família à noiva ou a família dessa, um chamado “preço de noiva”. Como escreveu o jornalista Jonathan Rauch na revista “The Atlantic” em 2006, isso torna-se um problema na medida em que:  “(…) quando um homem casa com duas mulheres, um homem casa com nenhuma. Quando um homem casa com três mulheres, dois outros não casam. (…) A monogamia dá a todos uma chance igual ao casamento.   A poligamia, por outro lado, cria um jogo de soma-zero que distorce o mercado nupcial, onde uns casam ao custo dos outros”.[2] (mais…)

RESSUSCITANDO A DOUTRINA MONROE

Por Rubens Barbosa

O renascimento da doutrina Monroe é a grande inovação do governo Trump na recém anunciada política externa para a América Latina.

O presidente James Monroe, nos idos de 1823, anunciou que os EUA iriam proteger os países sul-americanos de ameaças de colonização vindas de países europeus: “A América para os americanos”. Posteriormente, em 1904, Theodore Roosevelt ampliou essa política para incluir a defesa de direitos de empresas norte-americanas na América Latina. Essas ações ficaram conhecidas como a Doutrina Monroe e seu corolário. No governo Obama, em pronunciamento feito na sede da Organização dos Estados Americanos, John Kerry, então Secretário de Estado, afirmou, com grande ênfase, que a era da Doutrina Monroe tinha chegado ao fim. (mais…)

BALANÇO DA POLÍTICA EXTERNA DOS GOVERNOS PETISTAS

Por Rubens Barbosa

Publicado pela Interesse Nacional –  Edição no. 40 – Fevereiro-Abril 2018

Os catorze anos da politica externa desenvolvida pelos governos do Partido dos Trabalhadores (PT) merecem um estudo mais sistemático. Embora sem ter a pretensão de esgotar o assunto, parece apropriado fazer um balanço dos resultados das opções estratégias assumidas desde 2003 e algumas acentuadas a partir de 2011.

A eleição do presidente Lula trouxe uma visão diferente de mundo: dualidade entre os países ricos e pobres; combate a opressão capitalista e imperialista; mudança da dependência externa brasileira

O declínio do poderio dos EUA e a crítica ao processo de globalização econômica e financeira estavam no centro da visão de mundo do lulopetismo, que requentou temas da esquerda da década de 60 contra a opressão capitalista e o imperialismo.

A retórica oficial ressaltou o interesse do governo em mudar a geografia politica, econômica e comercial global pelo fortalecimento do multilateralismo e pelo fim da hegemonia dos EUA, por meio da reforma dos organismos internacionais e, em especial, do Conselho de Segurança da ONU. Como corolário, politicas começaram a ser desenhadas para mudar o eixo da dependência comercial do Brasil pela redução da influência dos países desenvolvidos e pelo aumento da cooperação com os países em desenvolvimento. (mais…)

ATUALIDADE DE OSWALDO ARANHA NA POLÍTICA EXTERNA

Por Rubens Barbosa

Em janeiro de 1943, em seu retorno da conferência de Casablanca, o presidente Franklin Roosevelt fez escala em Natal para reafirmar a Vargas a importância das bases americanas no Nordeste para o esforço de guerra no norte da África. O chanceler Oswaldo Aranha, por decisão mesquinha de Vargas, excluído do encontro, escreveu uma carta-memorando, (Oswaldo Aranha: um estadista brasileirofunag.gov.br), em 25 de janeiro de 1943,  apresentando ao presidente uma serie de ações para a conversa com Roosevelt.  Aranha tinha sido embaixador em Washington e o artífice dessa aproximação. Visto em uma perspectiva histórica e levando em conta as prioridades da época, esse texto pode ser considerados um dos mais importantes documentos da história diplomática do Brasil.

 A carta contém os principais elementos do pensamento estratégico de Oswaldo Aranha em um momento de grande instabilidade política no contexto de uma guerra que se tornava verdadeiramente global e às vésperas de o Brasil tomar a decisão de entrar na guerra contra Hitler. (mais…)

TRUMP E A DOUTRINA DO “SOMA ZERO” DIANTE DO MUNDO

Por  Fernanda Magnotta*

Na teoria econômica, e também entre os especialistas em negociação, é comum que se faça alusão ao chamado “jogo de soma zero”. Ao contrário do modelo de “soma positiva”, popularmente conhecido como “ganha-ganha”, essa é uma forma de descrever situações em que o ganho para um agente representa necessariamente a perda para outro. Mais do que uma formulação teórica, trata-se também de um mindset — uma forma de interpretar o mundo e de se posicionar diante dele. Parece ser o caso do presidente Donald Trump, que completa, em 20 de janeiro, seu primeiro ano de governo.

Desde que assumiu a Presidência, Trump tem adotado uma doutrina cujo principal foco está em mapear adversários e políticas que, segundo ele, “tiram vantagem dos Estados Unidos”. É como se as relações exteriores fossem vistas como um permanente jogo de soma zero e os interlocutores com quem o país se relaciona fossem classificados como concorrentes inevitáveis que só podem elevar capacidades às suas custas. (mais…)