O BRASIL E O ATLÂNTICO SUL

Por Rubens Barbosa*

Na definição do Conceito Estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em 2010, o Atlântico Sul não foi incluído como uma área geoestratégica prioritária, mas não se exclui totalmente a possibilidade de sua atuação “onde possível e quando necessário”, caso os interesses dos membros sejam ameaçados. Portugal, nessa discussão, apoiou a Iniciativa da Bacia do Atlântico, que previa a unificação dos oceanos, com incorporação dos assuntos do Atlântico Sul no escopo estratégico da organização.

Em pronunciamento recente, o atual ministro da defesa Nacional, Joao Gomes Cravinho, observou que “a segurança do espaço euro-Atlântico tem de ser pensada a partir das pontes que o Atlântico permite criar e para as quais Portugal tem um posicionamento privilegiado para contribuir ativamente”.

Dentro desse entendimento, Portugal está criando o Centro para a Defesa do Atlântico (CeDA) na ilha dos Açores. O CeDA tem como objetivo a reflexão, a capacitação e (mais…)

INTERLOCUÇÃO – PROGRAMA TV ESTADÃO-IRICE

Primeira Edição – 23/08/2019

Dentro das iniciativas do IRICE para 2019, começou a parceria TV Estado e o Instituto para a transmissão, inicialmente mensal,  de programa sobre política externa e comercio exterior. Assim sendo, foi ao ar no dia 23 de agosto passado a primeira edição do programa Interlocução:  O Brasil no Mundo.  Nesse primeiro encontro, com a participação também do editor internacional do Estadão,  Rodrigo Cavalheiro, foram discutidas questões relativas à eleição americana, o acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul e as relações bilaterais entre Brasil e EUA. Para assistir à íntegra da entrevista: https://youtu.be/RJa9bP8pSUw.

 

PRESIDÊNCIA BRASILEIRA NO MERCOSUL

Por Rubens Barbosa*

O Brasil assumiu em julho a presidência do Mercosul com a proposta de uma ampla revisão do funcionamento e das politicas do grupo sub-regional depois de 28 anos de sua criação pelo Tratado de Assunção.

Os países do MERCOSUL equivalem à quinta economia do mundo. Desde sua fundação, as trocas comerciais do agrupamento multiplicaram-se quase dez vezes: de US$ 4,5 bilhões, em 1991, para US$ 44,9 bilhões, em 2018.

Durante a presidência, o Brasil – segundo se anunciou – buscará intensificar a negociação de acordos comerciais externos, reduzir a Tarifa Externa Comum e dar seguimento aos esforços de racionalização do funcionamento do bloco.

A presidência brasileira, que se estenderá até o final deste semestre, ocorre em momento de rara convergência entre os quatro membros fundadores. Todos agora buscam transformá-lo em instrumento para reforçar a competitividade e aumentar a integração de suas economias com os mercados regional e global por meio de politicas liberalizantes e de facilitação do intercâmbio intra-Mercosul. Essa convergência vai ser testada nas eleições presidenciais de outubro na Argentina.

A conclusão das negociações com a UE pode ser o fator galvanizador que deverá ajudar os países membros a implementar mudanças longamente aguardadas. O  fim do isolamento e a ampliação dos (mais…)

O BRASIL E O ACORDO DE LIVRE COMÉRCIO COM OS EUA

Por Rubens Barbosa*

Um acordo comercial do Brasil com os EUA, a única superpotência global, será sempre muito importante para a economia de nosso país. A visita do secretário de comércio dos EUA, Wilbur Ross, reavivou o assunto e o colocou na agenda da relação com Washington.

Declarações oficiais de alto nível de ambos os lados reforçaram a percepção de que um acordo dessa importância será possível a curto prazo. Presidente Trump disse: “vamos trabalhar para um acordo comercial com o Brasil”. O ministro da economia, Paulo Guedes, declarou que as negociações entre os dois países para um acordo comercial já começaram. E Marcos Troyjo, secretário de comércio exterior, afirmou que o objetivo é trabalhar por um acordo mais amplo, incluindo produtos e tarifas. O secretário de comércio americano falou que, (mais…)

SER EMBAIXADOR EM WASHINGTON

Por Rubens Barbosa* 

O Dissenso de Washington, livro onde descrevo como exerci a função de embaixador nos EUA por quase 5 anos e as atividades da embaixada, foi  publicado em 2011. Por sua atualidade, transcrevo trechos do capítulo “Ser Embaixador Junto ao Governo Americano”, lembrando que, por mais que as relações entre os governos sejam excelentes, o embaixador tem de ficar atento para defender os interesses do pais, pois os Estados Unidos hão de defender, com vigor, os seus próprios. A defesa é feita acima de partidos e ideologias, com prudência e comedimento, sobretudo nos pronunciamentos públicos.

Ser embaixador em Washington, o posto mais importante no exterior para profissionais de qualquer país do mundo, é o sonho de todo diplomata, mas poucos alcançam esse objetivo. Até ser indicado, por mais de 30 anos, ocupei cargos de (mais…)