INTERESSE NACIONAL E INTERFERÊNCIA EXTERNA

Rubens Barbosa –  Economia & Negócios O Estado de S. Paulo17 de junho de 2020

Decisão sobre licitação de 5G não será fácil e País não deveria vetar nenhuma tecnologia por razões ideológicas

O governo brasileiro deverá em breve anunciar uma das decisões estratégicas mais importantes do atual mandato. Estava prevista para ocorrer em 2020 a licitação do uso da tecnologia de quinta geração para telefonia móvel que terá forte impacto sobre as pessoas e sobre as empresas. Não é uma decisão fácil. https://bit.ly/3edlVhY

ENTREVISTA AO INSTITUTO MILLENIUM

Em entrevista exclusiva ao Instituto Millenium, o ex-embaixador do Brasil em Washington e Londres analisou os impactos da pandemia nas relações de comércio e como nós podemos ser afetados por isso. As incertezas que assolam o mundo em tempos de pandemia do novo Coronavírus devem gerar mudanças nas relações comerciais entre os países após o período mais grave da crise. A análise foi feita pelo diplomata Rubens Barbosa. https://www.institutomillenium.org.br/cen.

 

BRASIL DEPOIS DA COVID 19

Rubens Barbosa*

Como é natural, a quase totalidade das análises e comentários na imprensa falada, escrita, nas TVs e na mídia social se concentra hoje nos grandes desafios internos para superar a crise provocada pelo coronavirus.

Depois de a pandemia passar, o Brasil e o mundo serão outros.

Do ângulo interno, os desafios econômico-financeiros, sociais, de logística, de modernização do Estado, do fim dos privilégios, da violência e da corrupção vão ter de ser enfrentados como nunca antes. O Brasil deverá ser reconstruído. O orçamento de guerra determinou despesas indispensáveis para atender aos trabalhadores formais e informais e as empresas afetadas pela quase paralisia da economia doméstica e global. Como tratar o déficit publico e fiscal? Como sair da recessão? Como gerar crescimento e reduzir as desigualdades e o desemprego? Como ficará o equilíbrio federativo? A sociedade brasileira vai ter de enfrentar um período de decisões profundas sobre as prioridades nacionais, as contas públicas, o funcionamento do Estado, a reativação da economia, a reindustrialização, enfim, essas e outras vulnerabilidades que, diante da crise, ficaram evidentes.

As incertezas são crescentes. Segundo os ministros de comércio exterior do G-20, a economia global em 2020 poderá reduzir-se em 5 ou 6% e o comércio externo, entre 5 e 30%. Como evoluirá a economia e o comércio internacional? Como as (mais…)

A EVOLUÇÃO RECENTE DE ACONTECIMENTOS NA VENEZUELA

Podcast Colunistas Rádio USP  –  07 04 2020

Nesta edição, o Embaixador Rubens Barbosa analisa os fatos que pressionam o governo da Venezuela para a abertura de processo democrático. Há vários fatos que indicam esse processo, segundo Barbosa: o indiciamento pelos EUA do presidente Maduro e de toda a cúpula pelo transporte de narcotráfico para os Estados Unidos; queda significativa dos preços do petróleo no mercado internacional por conta da briga entre Arábia Saudita e Rússia; o agravamento da situação social e de saúde pelo coronavírus; e a saída de uma das maiores empresas petrolíferas da Venezuela.

O presidente Trump apresentou um plano de transição para a democracia que passa por alguns pontos: suspensão de todas as sanções econômicas, caso Maduro resolva abandonar o poder; a partir disso, seria criado um governo de transição, em que Maduro e Guaidó seriam afastados dessa sucessão; a Assembleia Nacional seria eleita e, por sua vez, elegeria um governo de transição, entre outras propostas. Esse plano, ressalta Barbosa, mostra que o governo americano abrandou a sua posição e aceita uma partilha de poder com membros contra o governo. “Embora ainda não se vislumbre saída próxima, essas iniciativas poderão ter um peso no processo interno, sobretudo pela epidemia e o preço do petróleo, que estão pressionando o governo de Maduro”, afirma.

Ouça no link acima a íntegra da coluna Diplomacia e Interesse Nacional.

O IMPACTO GEOPOLÍTICO DO CORONAVÍRUS

Rubens Barbosa*

A epidemia do coronavírus – a pior dos últimos cem anos – terá profundas consequências sobre um mundo globalizado, sem lideranças alinhadas e pouco solidários entre si. O impacto econômico e social vai ser profundo, com o  custo recaindo nos mais pobres, fracos e idosos e em países menos preparados e desenvolvidos.

Os efeitos sobre os países e sobre a economia global estão sendo sentidos e deverão se agravar antes de melhorar.

Como a geopolítica global poderá ficar afetada pela epidemia? O que poderá mudar no cenário global?

Duas observações iniciais. A crise atual mostrou que as fronteiras nacionais desapareceram com as facilidades do transporte aéreo e o imediatismo das comunicações. E que as políticas econômicas domésticas estão intimamente influenciadas pelo que ocorre no resto do mundo. Nenhum pais ou continente é uma ilha. Por outro lado, a extensão e a repercussão da crise, em larga medida, deriva do peso da China na economia global. No inicio da década, quando ocorreu a SARS, o pais representava 4% da economia global, hoje representa 17%. A China é a segunda economia mundial, o maior importador e (mais…)

5G DECISÃO ESTRATÉGICA

Rubens Barbosa*

Em 2020, o governo brasileiro deverá tomar decisão altamente estratégica com profunda repercussão na vida das pessoas e no setor produtivo. Na área tecnológica, colocará o país no caminho de interesses conflitantes dos EUA e da China. Refiro-me à licitação da rede 5G para todo o pais e à participação da empresa chinês Huawey, que dispõe de equipamentos de alta qualidade e de baixo custo, quando comparados com a Ericson e a Nokia.

Na disputa geopolítica, a emergência da China como uma potência econômica, comercial e tecnológica nos últimos 25 anos, fez com que se acirrasse a disputa com os EUA pela hegemonia global no século XXI.

Visando a afastar a concorrência da empresa chinesa mais avançada do que as ocidentais, os EUA invocam questões de segurança das redes 5G da Huawey, que poderiam colocar em risco os sistemas de inteligência dos países. Essas alegações ocorrem no momento em que a própria CIA divulga informações sobre a Crypto, empresa suiça que os EUA utilizaram com esses mesmos objetivos durante décadas durante a guerra fria, inclusive no Brasil.

Apesar da oposição de Washington, a União Europeia decidiu não barrar a Huawey. Reino Unido (com restrições na (mais…)