INSTABILIDADE POLÍTICA NA EUROPA

Por Rubens Barbosa*

Depois de muitos anos de estabilidade política, o cenário europeu se vê em rápida transformação.

Os problemas se acumulam. A retirada do Reino Unido continua sem solução. A crise só fez agravar-se com a demissão da primeira ministra Theresa May e com a ausência de uma perspectiva de negociação de Londres com a União Europeia. O presidente francês, Emmanoel Macron, que, com a saída de Angela Merkel da Alemanha, poderia assumir um papel de liderança de modo a fortalecer a integração européia, se vê enfraquecido diante do movimento de contestação iniciado pelos coletes amarelos (gilets jaunes) e das posições divergentes de Berlin.

A eleição para o Parlamento Europeu, realizada no último dia 26, talvez a mais importante desde a primeira, em 1979, elegeu 751 representantes de 28 países. O resultado manteve a maioria com os partidos pró-Europa, mas indicou o continuado crescimento dos partidos que se opõem à União Europeia. Na campanha eleitoral ficou claro que a extrema direita surgiu como a grande beneficiária da disputa (ganhou na França, Itália, Reino Unido, Bélgica e Hungria) e seu fortalecimento indica que passarão a dispor de maior influência. Os partidos nacionalistas e populistas alcançaram cerca de 25% e podem ter uma atuação de maior repercussão no Parlamento, o que fez com que Macron pedisse que haja uma maior colaboração entre os partidos conservadores, socialistas e verdes para se opor ao grupo de (mais…)

VITÓRIA DO PT, PREJUIZO PARA O BRASIL

Por Rubens Barbosa* 

O resultado mais importante da visita do presidente Bolsonaro a Washington na semana passada foi a assinatura do Acordo de Salvaguarda Tecnológica (AST), que torna possível o uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. Com isso, ficam viabilizadas significativas perspectivas comerciais para o Brasil entrar em um mercado anual de mais de US$ 12 bilhões, em especial no de satélites de pequeno porte.

O AST entre o Brasil e os Estados Unidos, proposto inicialmente por Brasília, foi assinado em abril de 2000 pelo governo FHC, mas foi inviabilizado pelo PT, como oposição no Congresso e depois como governo.

A principal reclamação do PT era a de que não havia transferência de tecnologia para o Brasil e que nossa (mais…)

SERGIO CORREA DA COSTA

Por Rubens Barbosa*

O centenário de nascimento do embaixador Sergio Correa da Costa, em 19 de fevereiro, nos permite rememorar algumas das facetas de um dos mais importantes representantes de uma geração de diplomatas que marcou de forma indelével sua passagem pelo Itamaraty. Correa da Costa, junto com Roberto Campos, Azeredo da Silveira, Ramiro Saraiva Guerreiro, Gibson Barbosa, Vasco Leitão da Cunha, Jorge Carvalho e Silva, Mozart Gurgell Valente, Miguel Ozorio, Antonio Correa do Lago, entre outros, deram sua contribuição para que a Chancelaria brasileira se afirmasse como uma instituição a serviço do Estado, acima de partidos ou de ideologias.

Diplomata de carreira, mas com interesses que iam além das atividades como servidor público exemplar, atuou como consultor no setor privado e (mais…)

TRANSFERÊNCIA DA EMBAIXADA PARA JERUSALÉM

Por Rubens Barbosa*

Durante a campanha eleitoral, o candidato Bolsonaro disse que, se eleito, iria transferir a embaixada do Brasil de Tel Aviv para Jerusalém. “Israel é um Estado soberano, que decide qual é sua capital e nós vamos seguí-los“. A promessa respondia à reivindicação da comunidade evangélica, que apoiava fortemente o candidato. Depois de eleito, o presidente decidiu dar prioridade as relações com Israel e se comprometeu a concretizar a transferência a ninguém menos do que o Primeiro Ministro Benjamin Natanyahou que, em entrevista, disse que a “questão não era se, mas quando”. Posteriormente, Bolsonaro recuou ao afirmar que “essa não é uma questão de honra“ e “por hora“ não haveria transferência, o que deve ter estimulado o Vice-Presidente Mourão a receber duas delegações árabes e observar publicamente que “não haverá mudança da embaixada para Jerusalém”. O Ministro Araujo qualificou  declarações anteriores e notou que “a decisão seria parte de um processo de elevação do patamar da relação com Israel, isso sim uma determinação, independente da (mais…)

ALIMENTOS E GLOBALIZAÇÃO NO IMPÉRIO BRITÂNCIO

Jornal “Folha de São Paulo”, Caderno Mercado, 02/02/2019

Marcos Sawaya Jank (*)

Busca por comida criou império militar, comercial e gerador de migrações

O Brexit, processo que levou o Reino Unido a sair da União Europeia, transformou-se numa decisão caótica e autodestrutiva para os ingleses. O Reino Unido se isola sem saber para onde vai. Movimentos anti-integração e anti-imigração ganham força nos EUA e na Europa. Medidas protecionistas tendem a reduzir ou a “administrar” o comércio internacional, os órgãos e acordos multilaterais estão sendo repensados, surgem guerras comerciais, tecnológicas e, agora, perseguições pontuais a empresas estrangeiras. Em suma, o mundo parece querer frear o processo de globalização.

Mas a história é feita de ciclos que vão e vem, de forma pendular. Curiosamente a mesma nação que hoje não sabe o que fazer com o Brexit, conseguiu, há 200 anos, tomar medidas radicais que formataram o mundo moderno, produzindo o primeiro movimento de globalização em escala mundial.

Esse é o tema de “The Hungry Empire: How Britain’s Quest for Food Shaped the Modern World” (O Império esfomeado: como a busca dos britânicos por alimentos formatou o mundo moderno), escrito pela professora Lizzie Collingham em 2017. A obra defende a tese de que a força motriz do poderoso Império Britânico no século 19 foi a busca por comida, que (mais…)

PRIORIDADES DA POLÍTICA EXTERNA PARA OS PRIMEIROS CEM DIAS

Por Rubens Barbosa* 

Segundo o texto que teria sido apresentado em reunião ministerial, as propostas, feitas pelo Ministro Ernesto Araújo, para os primeiros cem dias do governo Bolsonaro, foram:

1) visita do presidente Bolsonaro aos EUA e lançamento das bases de Acordo de Parceria Brasil-EUA ou instrumento similar, que incluirá o lançamento de um acordo comercial, bem como entendimentos em segurança, tecnologia e defesa;

2) visita do presidente Bolsonaro a Israel com a criação de parcerias em segurança, tecnologia e defesa;

3) inicio do processo e revisão do Mercosul para aperfeiçoamento de instrumentos favoráveis ao (mais…)